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Digitalism

Por: Mariana Morais

 

Marco Antonio da Silva, o DJ Marky, começou sua carreira numa casa noturna da zona leste de São Paulo e não parou mais de crescer.
 
Artista consagrado entre os melhores DJs do mundo, construiu uma carreira sólida na Inglaterra e em outros países da Europa. Com experiência em grandes festivais e nos principais clubs, Marky se apresentará mais uma vez no Skol Beats, desta vez, acompanhado do Mc Stamina.
 
Em entrevista ao !ObaOba, ele nos contou um pouco sobre seu envolvimento com a música, suas influências e sua atuação como DJ. Tudo isso pelo viva voz de seu celular, enquanto dirigia pelas ruas de São Paulo.
 
DJ Marky!ObaOba – Como começou seu envolvimento com a música?
 
DJ Marky - Começou muito cedo... Meu pai sempre comprou discos, meus pais sempre tiveram discos. Desde pequeno sempre estive envolvido com música, escutava muito soul, funk, jazz e música brasileira.
Ouvia muito Edu lobo, Vinícius, Novos Baianos, Mutantes, Caetano, Gil... Daí veio minha paixão pelo jazz e pela bossa.
 
!ObaOba – Como você analisa a cena eletrônica no Brasil?
 
DJ Marky - Não sei dizer direito. Ano passado fiquei 7 meses e meio fora, as coisas aqui no Brasil são mega complicadas. Uma hora as pessoas gostam de um estilo musical e depois mudam. Na Inglaterra isso não acontece. As revistas tentam impor um estilo, mas não conseguem. Lá fora as pessoas têm a cabeça mais aberta, elas não vão tanto na moda, por isso na Inglaterra tenho uma carreira sólida.
 
!ObaOba – De que maneira o drum’n bass entrou no seu trabalho e como se tornou sua marca?
 
DJ Marky - Na verdade, o drum’n bass não é minha marca. Eu sou um DJ que não começou tocando drum’n bass. Se você estivesse dentro do meu carro agora, não escutaria drum’n bass, ouviria Amy Winehouse. As pessoas não vêem que eu aprecio outros estilos.
O drum’n bass entrou na minha vida, porque na época tinha muita gente de house e techno e ninguém fazia nada diferente.
Um dia comprei uma revista e vi que tinha um estilo novo, o jungle, achei do caralho e pensei  “vou fazer isso pras pessoas no Brasil!”. Demorou mas deu certo.
A única coisa que eu quis foi sair desse marasmo do house, techno e hip hop. Você tem que fazer algo bacana e diferente. Tocar músicas que estão nas rádios, qualquer um faz. Mas mostrar coisas novas e trazer um som que a mídia não aceita é mais difícil. E é isso que falta nos DJs.
As pessoas usam o rótulo “top DJs”, mas pra mim, top é top model! Tem que chamar o DJ porque ele é bom e faz coisa diferente.
Não quero que me vejam como um DJ de drum’n bass e sim como um bom DJ!
Duas vezes por ano toco house na Disco e é muito legal, mas se eu tocar todo dia não me empolgo.
Sou fanático por discoteca, tiro uma onda e adoro. Amo drum’n bass, mas adoro outros estilos também. Se tiver que tocar hip hop eu toco, aprecio música. Sou um DJ completo.
 
!ObaOba – Quais são suas influências musicais fora do cenário eletrônico?
 
DJ Marky - Tudo menos a música eletrônica!
Não sou um DJ que nasceu da base da música eletrônica, sempre gostei de funk, soul, jazz, MPB, rock, salsa, reggae, bossa nova. Isso sim é meu background.
Vários estilos me influenciaram, menos o eletrônico, ele só me despertou para ir para outros caminhos, foi apenas uma evolução.
 
!ObaOba – Na sua opinião, como o público brasileiro encara o drum’n bass em comparação ao de outros países?
 
DJ Marky – Muitas pessoas fecharam as portas pra gente, sempre tivemos que ficar provando alguma coisa para os promoters. Minha preocupação é minha noite que vai muito bem na Clash de São Paulo, Chibuku Shake Shake em Liverpool, na The End em Londres e em mais uma porrada de lugar.
Acho que o público aqui curte muito o drum’n bass, não é a toa que lota a Clash. O que falta é as pessoas abrirem o leque aqui no Brasil, acreditarem em coisas novas, falta os promoters investirem em outros estilos, dar mais opção.
 
!ObaOba – Como é sua relação com os MCs, como é tocar com eles?
 
DJ Marky - Daqui é tranqüilo, o Lucky é meu amigo pessoal, tá no jogo desde quando a gente começou.
Lá fora também, é incrível! Dá um toque especial, uma vibe diferente. Como sempre toquei sem Mc, às vezes gosto de tocar com eles.
 
!ObaOba – Já pode adiantar alguma coisa do que vai rolar nesse ano?
 
DJ Marky - Pra ser sincero, desde que toco no Skol, nunca planejei um set. Até porque o primeiro club que toquei fui mandando embora, justamente por planejar o set. No fim foi bom, porque aprendi que você tem chegar no lugar, olhar as pessoas, olhar o case e arriscar. O que não rolar, vai e muda... É legal ter esse feeling, essa intuição.
Ser DJ é isso, tentar adivinhar o que se quer ouvir sem ser comercial, é como ser um mágico, tem sempre que surpreender as pessoas.
 
!ObaOba – Para finalizar, quais artistas do cenário eletrônico você curte atualmente?
 
DJ Marky - O último álbum que ouvi foi o da Clara Hill, um disco mega interessante. Também tem o álbum do Lynx, Commix e Lars Bartkhun.
O Marco Antonio gosta de deep house, não gosta de electro house, gosta de algumas coisas que andam saindo de techno, não aprecia progressive house e hip hop comercial. Para o DJ Marky tudo é "It's Ok".
 
 
 
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