Especial Tim Festival 2008
Stacey Kent
“What the fuck is goin’ on here São Paulo?!”. É gritando essa frase que Eugene Hütz, líder do grupo Gogol Bordello, sobe ao palco da Arena de Eventos do TIM Festival 2008, nesta sexta (24). Acompanhado de sua trupe, que incluía até duas bonitonas backing vocals vestidas com um uniforme apertado do Santos Futebol Clube, o ucraniano Eugene fez um show inesquecível e completamente empolgante.
A apresentação do Gogol Bordello durou cerca de uma hora, em que a platéia gritava, pulava, improvisava dancinhas de quadrilha e tudo isso acompanhado do punk-cigano-universal da banda. Surpreedentemente, o grupo tocou poucas faixas do último disco Super Taranta! (2007) e o repertório do show foi mais baseado no álbum Gypsy Punks: Underdog World Strike (2005). Porém, foi nas faixas “Wonderlust King” e “American Wedding”, do CD mais recente, que o publicou mais vibrou.
Mas com um anfitrião como Eugene Hütz ninguém consegue ficar parado mesmo. Em posse de seu violão durante todo o show, o líder bebe vinho, faz caras e bocas para a platéia, não pára durante um segundo e promove uma apresentação com ares teatrais. Uma cena resume bem o Gogol Bordello: logo no início do show, duas garotas sobem nos ombros dos namorados, berram e se chacoalham super felizes. Eugene as olha e, pulando, faz um sinal de aprovação.
É assim mesmo, o show do grupo, que é composto por integrantes de várias partes do mundo, é para ser uma zona, uma festa, uma hora de intensa diversão. Com um som forte, rápido e com letras descontraídas, o Gogol Bordello fez um show marcante e que teve direito até a uma pontinha de “Morena Tropicana”, canção de Alceu Valença.
Dan Deacon
Antes do Gogol Bordello subir ao palco, a zona já estava rolando na Arena de Eventos. Mas quem estava comandando a festa era Dan Deacon, DJ do b-more club (grupo de DJs provenientes de Baltimore, Estados Unidos, e que estão se destacando na cena eletrônica). Com um som bem pesado e rápido, Deacon demonstrou vontade de tocar e que estava adorando estar lá, junto ao público - o DJ escolheu colocar a sua mesa embaixo do palco.
Foi uma apresentação surreal. Deacon não parou de conversar um instante com a platéia; pausava a música; pedia para o pessoal fazer concurso de dança e rolou até aqueles túneis de quadrilha, em que o pessoal passa embaixo dos braços de uma dupla. E o resultado disso tudo foi bem divertido; tanto que até rolou uns moshs no fim do set.
DJ Yoda
Ele foi eleito pela revista Q como um dos “10 DJs que você precisa ver antes de morrer”. Ontem foi a chance dos brasileiro. E, apesar de essas seleções serem subjetivas e furadas, definitivamente, ele é uma atração imperdível.
Yoda fez um DVJ super divertido à base de muito hip hop. Os vídeos casavam com o seu live, que começou do mesmo jeito que os filmes Star Wars, só que na hora do texto rolante de abre - típico começo das produções de George Lucas - a mensagem era algo assim: “Em uma época em que muitos DJs estão despreparados, surge o DJ Yoda para mostrar técnicas todas feitas ao vivo”.
É impressionante como o DJ conduz o seu set. Com um toque cômico nas imagens selecionadas para a performance, Yoda fez mash-ups com canções até de Marios Bros., Simpsons e Jacksons Five - tudo isso acompanhado de uma porção de scratches. No final do show, por volta da 0h, Yoda saiu com um sorriso no rosto e muito aplaudido pela platéia.
Entre-shows
Desanimador foi o set do DJ Switch, que ficou com a difícil tarefa de tocar entre as apresentações do Gogol Bordello e do DJ Yoda. Foi como se ele servisse apenas para dar um break para o show do Gogol e acostumar o ouvido público com a sonoridade eletrônica, que DJ Yoda comandaria muito bem mais tarde.
