Especial VIVAVOZ
DJ conta reviravolta
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Ele, que frequenta a noite paulistana como DJ, acha que não tem essa de haver um lugar propício para as drogas, ela está em todos os lugares: "no meu caso, qualquer lugar se tornou propício para isso. Eu gostava da noite para ficar chapado, porque era lá que eu me tornava a pessoa que eu não era durante o dia, e me sentia aceito chapado ou não, na verdade mais chapado do que não", ri. Além disso, ele diz que as pessoas continuam se drogando cada vez mais e mais cedo não só na noite, mas a qualquer hora, em qualquer lugar.
Luís buscava tapar vazios com o uso de drogas. "Queria anestesiar a minha inabilidade em lidar com a vida e os sentimentos e, na verdade, eu acabava era cavando mais um pouquinho", conta. Hoje, limpo, ele busca preencher esse vazio com atitudes positivas, ajudando outros dependentes e sentindo todas as alegrias e dores deles, para lidar com suas próprias. Até porque, ele mesmo só conseguiu superar o vício com a ajuda de outras pessoas - irmandades, grupos de apoio, outros adictos em tratamento.
O DJ também nos contou que sua relação com a família estava indo de mal a pior - Chegou a morar fora de casa, não falava com a irmã e mal se comunicava com a mãe. "É aquela coisa, ninguém quer ver um ser amado se matando. Eu trazia muito sofrimento para minha casa". No entanto, é a família a primeira a apoiar na hora da recuperação, "graças a Deus!", diz.
Hoje, Luís vê o vício em drogas como uma doença física, mental e espiritual: "Ficamos incapazes de parar, obcecados e egocêntricos", comenta. Quando a dependência chega a esse ponto, o final da história é invariavelmente trágico: "instituição, prisão ou morte". Isso tudo ele já viu de perto e alerta que mesmo aqueles que têm controle correm o risco de se perder.
*Nome fictício
