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Mãe de usuário

Por: Redação !ObaOba

“Droga é uma doença da família”, diz Maria* que entre idas e vindas convive 15 anos com a dependência química de seu único filho. Se esse é um problema complicado para quem usa, para quem convive e ama é tão complicado quanto. A história dessa mãe começa como a de muitas: primeiro, uma repentina mudança nas atitudes. “Como ele ainda tinha uns 15 anos, eu dava horário para ele voltar e ele sempre cumpria. Mas, de repente, começou a chegar tarde em casa, eu pedia para ele fazer alguma coisa e ele não fazia, até que as coisas começaram a sumir de casa”.

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Tomar uma primeira atitude é sempre difícil, “principalmente porque o transtorno é tão grande que você sempre toma a atitude errada”, conta Maria. Mas nesse ponto ela se saiu bem, chamou seu filho para conversar, ele assumiu e pediu tratamento. “Chega uma hora que eles começam a trocar as responsabilidades pela droga, a se afastar da família e dos amigos até o ponto que eles mesmos não aguentam a situação”, comenta, sem deixar de admitir que já se descontrolou muitas vezes, “eu chorava muito, ligava para todo mundo, mas hoje lido com mais serenidade e entendi que isso tem que ficar no anonimato, dentro de casa”.

A maratona de tratamento tinha que começar. Maria buscou o grupo Nar-Anon, não só para a reabilitação do seu filho, como para buscar uma orientação. “É importante um grupo de apoio para te ensinar a aceitar a situação e ver que é uma doença que ninguém tem culpa, a troca de experiências é fundamental”, alerta. Desde então, ela vive as dificuldades dessa relação e acompanha as várias internações, recuperações e recaídas do rapaz, hoje com 30 anos.
 
Maria sempre teve um bom relacionamento com seu filho, o que se perdeu foi a confiança. “Tenho que viver um dia de cada vez e não posso contar com ele. Tomo cuidados como não dar uma conta para ele ir pagar e não deixar minha carteira por perto”, revela. Hoje ela acredita que algumas pessoas têm predisposição ao vício e o importante é não experimentar. “Quando alguém diz que droga é ruim é mentira, é uma experiência prazerosa, por isso temos que falar sobre as conseqüências. A pessoa perde a perspectiva, a família, o trabalho e o fim é a clínica, a cadeia ou a rua”, diz.
 
Outra experiência que ela teve foi a de receber cobrança de traficantes na porta de sua casa, um dos fatos que a levou a mudar-se de São Paulo. “Talvez eu tenha exagerado, mas estava com muito medo”, diz. Nesses anos todos, ela foi marcada por alguns momentos: um quando foi levá-lo na clínica, ele resistiu e ela o largou na rua. Depois, nas diversas recaídas, “você acredita que está tudo bem e de repente começa tudo de novo”. Mas Maria não desanima, busca suporte nos grupos de apoio, na família, nos amigos e em sua fé em Deus. “A gente tem que acreditar”, completa.
 
Hoje o filho de Maria está concluindo mais uma de suas internações, mas ela ainda não sabe o que vai fazer depois. Para ela, “a dependência química é a pior doença do mundo” e a cura não existe. “É uma doença controlada, depende do usuário o desejo de parar e mudar o estilo de vida. Não dá para ter vida social e tomar uma cervejinha, tem que se dedicar nos grupos ou a uma religião”, diz. No fim, todo mundo acaba precisando de tratamento e orientação e, claro, acreditar! Conselho da mãe Maria.

* Nome fictício

 
 
 
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