Especial VIVAVOZ
Mingau
Passados alguns anos, um novo projeto musical surge na carreira de Mingau. Na década de 1990, Dinho Ouro Preto, hoje vocalista do Capital Inicial, manteve, ao lado de Mingau, uma banda chamada Vertigo. Durante o processo de composição e gravação das músicas, mais contato com drogas: "Se o Dinho não tivesse voltado para o Capital, e eu entrado para o Ultraje, nós não estariamos aqui para contar história. Só de pensar me dá calafrios", revela.
Mudar os ciclos de amizade foi o primeiro passo dado por Mingau para superar de forma definitva seus problemas com drogas. Os que antes eram grandes amigos, viciados também, tiveram que se afastar do baixista. Entre as experiências com drogas vivídas por Mingau, a mais traumática envolve a cocaína: "Você se sente como o Super-homem. Depois de um tempo, a cocaína te domina. Para entrar nesse mundo é facil. O problema é a hora de sair", desabafa.
Os laços familiares foram os principais responsáveis pela reviravolta na vida de Mingau. Hoje, com uma filha de 13 anos, o músico tem plena consciência de que todas as decisões tomadas no passado foram erradas: "Depois que nasceu minha filha, eu comecei a pensar: 'Pô, agora não sou só eu. Tenho ela que depende de mim'. Você fica mais pé no chão. Precisei segurar a onda, porque sabia que não estava mais sozinho", diz.
Mingau percebe uma grande diferença entre seus tempos de juventude e os dias atuais: a maior facilidade para se encontrar pontos de vendas de drogas. "Em todo o canto você vê gente fumando, cheirando". Para o músico, o real perigo está no usuário que encarna o espiríto "Highlander", se julgando imortal. E dá o aviso: "Dessa minha experiência com drogas não fica nada de positivo. Fiquei um bom tempo nessa vida e pude ver que não vale a pena. Para conseguir sair foi um sufoco", diz.
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