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Rodolfo Abrantes

Por: Redação !ObaOba

 

Quem acha que a vida de um rockstar é feita de sexo, drogas e rock´n roll está certo, ou quase certo. Pelo menos para Rodolfo Abrantes, isso foi uma realidade durante um bom tempo. Sua história todo mundo já conhece, ele foi vocalista dos Raimundos - uma das principais bandas de rock dos anos 90 -, e era exatamente a ideia de "sexo, drogas e rock´n roll" que ele queria viver. "As drogas estão em todo lugar, mas no meio artístico tem uma coisa estranha que é de quanto mais doido mais interessante fica. Eu nunca tive chefe e minha profissão não exigia que eu estivesse sóbrio", revela.

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Rodolfo começou a se drogar aos 13 anos, segundo ele, em uma tentativa boba de ser aceito pelo grupo. Fumava maconha, cheirava loló e cola de vez em quando e bebia, mas "meu problema sempre foi a maconha mesmo", conta. Com o tempo, foi se distanciando cada vez mais da família: "como tinha que mentir o tempo todo, fugia de qualquer ambiente familiar e minhas relações foram ficando cada vez mais superficiais". Ele percebia que era hora de parar.

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Parar ele tinha tentado várias vezes, ficava uma ou duas semanas sem usar nada e depois voltava com tudo. Alessandra, sua namorada na época e hoje mulher, começou a participar de um grupo de oração, Rodolfo também topou e, segundo ele, foi tocado por Deus. Mas não pensem que foi algo que aconteceu da noite para o dia: "foi impactante, mas foi um processo, sem dúvida! As mudanças vêm para ficar, por isso acontecem de forma gradativa", revela o músico. Família e amigos ficaram felizes com sua superação, mas muitos não entenderam. "Achavam que eu tinha enlouquecido por largar a banda e que tinha virado fanático, mas quem me ama de verdade ficou do meu lado", diz.

Hoje Rodolfo é missionário - o que ele não considera uma profissão - e leva sua carreira musical junto com isso. "Vocês não ouvem falar porque é um mundo diferente que não vai aparecer nas rádios nem na televisão, mas estou tocando bastante e muito feliz!", explica. Ele olha para trás e não se refere ao seu trabalho com o Raimundos exatamente com arrependimento, mas diz que se fosse hoje não faria. "Uso isso como trampolim para o futuro, serviu de experiência, mas foi bem desagradável".

Aos 37 anos, morando em Santa Catarina, casado e com um filho de 17 anos, mantém poucas amizades daquela época. "Como moro muito longe fica mais difícil o contato, hoje tenho grandes amigos, toco com eles e é ótimo", conta. Para ele, sua música é sincera de acordo com o que ele vive, "aquela agressividade, sair gritando e pulando no palco não existe mais até porque não sou mais um garoto". Ele também conta que encontrou fãs decepcionados pelo caminho, "eles (os fãs) querem que você seja o sonho deles e eu não sou um boneco, um produto". Agora ele alerta aos jovens que fujam das drogas - "É a maior roubada!" - e não troca sua sobriedade por nada.

 
 
 
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