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Wilson Sideral

Por: Redação !ObaOba

Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Chet Baker, Charlie "Bird" Parker, Michael Jackson, Elvis Presley... Quanta gente talentosa as drogas - proibidas ou não - não levaram? Apesar do fim trágico, todos eles tiveram seus nomes - e frequentemente sua criatividade e genialidade - associados ao uso destas mesmas drogas. Agora, será que as drogas têm mesmo esse poder de "expandir os horizontes da criatividade", como dizia Timothy Leary, o famoso pesquisador que dedicou boa parte da vida ao estudo do LSD (ácido lisérgico)?

O cantor e compositor Wilson Sideral - autor, entre outros, do hit "Fácil", sucesso na voz de seu irmão, Rogério Flausino, do Jota Quest - é reticente a essa ideia. Dos 15 aos 21 anos, ele mergulhou de cabeça na maconha e na cocaína e quase viu a vida ir pelo buraco. "Eu estava muito fraco, debilitado, magro. Comecei a ter uma série de doenças, uma atrás da outra, que me impossibilitaram inclusive de continuar usando (drogas). Tive problema de coluna, fiquei de cama, tive sinusite, meu ouvido estourou". Isso tudo aconteceu em um mês. E nem é preciso dizer que não foi um período lá muito rico, criativamente.

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"Existe uma tendência de associar a criatividade ou grandes nomes da música ao uso de drogas, mas acho que é uma fase que já passou". Winehouses à parte, Sideral acha que lá pelos anos 70, isso até teve algum sentido, quando o consumo de drogas era associado a uma postura política. "Purple Haze" do Jimi Hendrix - música que faz alusão ao consumo de LSD -, por exemplo, não era uma total alienação do mundo. Era um antagonismo à violência e à política belicista norte-americana, personificada na década de 60, pela Guerra do Vietnã. Era uma luta hippie contra os dogmas de uma sociedade fechada e restritiva. "Nos dias de hoje, em um mundo cada vez mais globalizado, em que a democracia é o principal sistema político, as pessoas se diferenciam de outras maneiras. Não é o 'maluco' que vai conseguir seu espaço. Pelo contrário: as pessoas mais centradas e dedicadas ao seu trabalho conseguem muito mais espaço para expor suas ideias do que as pessoas que chutam o balde", observa Sideral.

Tanto que, enquanto chutava o balde, Sideral não conseguiu grande coisa. "Minha carreira engrenou depois que larguei as drogas". E isso foi um esforço tremendo. Ele se ligou à família - "minha mãe me segurou no colo" -, a Deus e, hoje, sequer toma uma cerveja. Não que seja radical ou caia na demagogia de dizer que todo mundo que toma uma cervejinha é um alcoólatra potencial. Isso vai de cada um. Ele conhece gente no meio artístico que já usou ou usa drogas, mas consegue manter uma relação relativamente saudável - na medida do possível, é claro - com elas. Claro que não há relação saudável, mas há a diferença entre o chamado uso social e a dependência química. "Quando a pessoa tem a tendência ao vício - e é meu caso -, ela tem que saber que é diferente das outras pessoas. Conheço pessoas da minha geração que souberam lidar com isso de maneira mais tranquila, que usaram o mesmo tanto que eu e conseguiram sair numa boa e outros que estão até hoje e ainda não conseguiram. É uma relação muito individual - cada pessoa tem que saber seu limite e suas deficiências".

O problema é descobrir sua propensão ao vício tarde demais. E não vale a pena arriscar. O único jeito de se prevenir - além de não usar drogas, é claro - é se informar e muito bem sobre os efeitos e as consequências do uso de cada uma delas. E desde cedo. Esse é um dos diagnósticos de Sideral para seu próprio caso: "Talvez tenha faltado, na minha infância, discutir abertamente sobre essas coisas, sem preconceitos, sem esconder o jogo. É preciso falar sobre isso na televisão, pelo telefone, pela internet e, principalmente, dentro de casa".

Mas, às vezes, é difícil para os pais abordar o assunto. Como falar? O que falar? O que deixar para a vida ensinar? Esse tipo de pergunta pode ser respondido pelo projeto VIVAVOZ, serviço de call center vinculado à SENAD (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas). Vale a pena dar uma ligada grátis para 0800 510 0015 e descobrir com especialistas qual a melhor forma de chegar ao assunto - sem acuar, sem ameaçar, sem mentir - e manter o vício longe de casa. "É importante ter um canal aberto tanto para dependentes quanto para não-dependentes. O melhor combate às drogas é a prevenção. É a sociedade conhecer os perigos e conversar sem preconceitos".

 

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