Saiba o que esperar de Ninfomaníaca, novo filme de Lars Von Trier

A primeira parte do polêmico longa chega nesta sexta nos cinemas

Mal Melancolia dava adeus a Cannes, em 2011, e os boatos acerca do novo filme de Lars Von Trier já começavam a pipocar por aí. O título, Ninfomaníaca, aguçou a curiosidade de meio mundo – e não é para menos. À medida que fotos, vídeos e sinopses foram sendo divulgados, não restava dúvida: mais uma vez, polêmica estava por vir. No entanto, ao conferir a primeira parte do tão aguardado filme, que estreia nesta sexta, 10 de janeiro, o que vimos foi um pouco diferente do que esperávamos.

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Se ficamos decepcionados? Muito pelo contrário. Lars Von Trier nos mostrou, em cada minuto das quase duas horas de longa, que é um dos cineastas mais brilhantes da nossa geração. A sua talentosa fórmula (para não dizer mágica) foi tecer uma trama ao mesmo tempo chocante e delicada. Para isso, não abriu mão de sofisticadas metáforas e, acredite, boas doses de humor. Resultado: mesmo com temática forte e cenas de sexo 100% explícitos, Ninfomaníaca é, acima de tudo, sensível e artístico. Mais Melancolia, menos Anticristo – quer você queira ou não.

A trajetória de Joe, a ninfomaníaca interpretada por Charlotte Gainsbourg, vai muito além de vãs aventuras eróticas das quais simplesmente poderiam compor a sua história. A condição da protagonista é pautada por uma culpa e autojulgamento, sentimentos que, aos poucos, vão tornando-se centrais na trama. É aí que Von Trier, mais uma vez, toca em suas feridas favoritas: a depressão, o niilismo e a crítica aos valores morais - esta vista com maestria na antológica cena protagonizada por Uma Thurman.

Ninfomaníaca

Mas não fiquemos desesperançosos. Ninfomaníaca é sim um filme sexy e provocante. O que o espectador precisa, é estar atento à dualidade que o sexo assume na narrativa: o erotismo dá lugar, mesmo que às vezes timidamente, ao vazio e ao tédio que a ninfomania representa. E percebemos que, para Lars Von Trier, ela não é simplesmente uma adicção sexual – e sim mais uma forma de representar o vácuo existencial que, cada vez mais, se torna cerne de sua obra. Chocante para uns e poético para outros, Ninfomaníaca não deixa de ser os dois. Como de praxe, o diretor nos convida a refletir sobre questões polêmicas - sem deixar de lado seus próprios dramas pessoais, e nos instigando a olhar, também, para os nossos.

Ninfomaníaca

Se liga: o filme, que chega aos cinema nesta sexta, assim como a segunda parte, que estreia em março, fazem parte de uma versão censurada. Ninfomaníaca sem cortes será exibido no festival de Berlim este ano e deve, em breve, ganhar versão em DVD. Confira o trailer: 

Atualizado em 20 Mai 2014.

Por Ricardo Archilha
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