Vinícius Calderoni une artes e faz série de shows

Músico e cineasta fala sobre projetos e aposta em nova geração de artistas brasileiros

Vinícius Calderoni é antes de tudo um cara envolvido com arte. Compõe, toca violão, canta, interpreta, dirige e faz roteiro para cinema e teatro, e acaba de misturar essas influências todas no seu mais novo projeto. Os 12 Clipes de Tranchã, conta com a participação de 13 jovens diretores, com o objetivo de produzir videoclipes das 12 faixas de seu CD, entre eles Esmir Filho, Otávio Pacheco, Daniela Saba, Anna Turra, Camila Gutierrez, Daniel Tonacci e o próprio Vinícius. Mas vamos voltar um pouquinho para entender o que tanto faz esse rapaz no auge de seus apenas 24 anos.

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Vinícius é paulistano, formado em Cinema pela FAAP, frequentador do Bar Genésio - segundo ele, um refúgio para os músicos -, lançou seu disco de estreia, Tranchã, em 2007, foi ator, locutor e roteirista do programa Massaroca, da TV Cultura, entre 2007 e 2009 e, recentemente, formou o grupo 5 a Seco, com os músicos Tó Brandileone, Pedro Altério, Pedro Viáfora e Dani Black. Inclusive, Calderoni se atrasou para o ensaio para nos ceder esta entrevista. Nesse trabalho, são cinco vozes e cinco violões com um repertório formado por composições dos próprios meninos, em shows produzidos por eles mesmos. As últimas apresentações aconteceram na Sala Crisantempo e no Tom Jazz, em São Paulo.

Os 12 Clipes de Tranchã vem sendo lançados desde 19 de fevereiro pela internet e, a partir da sexta-feira (19/03), começam os shows desse projeto na Sala Crisantempo, na Vila Madalena, em São Paulo. São seis apresentações - (19, 20, 21 e 26, 27 e 28 de março) - que vão contar com "trechos dos clipes em várias superfícies de projeção e o próprio palco vai virar um espaço de projeção", conta. A proposta é simples e inovadora: captar imagens durante o show e usá-las em momentos que causem um certo impacto. Estes clipes nada têm a ver com os que estamos acostumados a ver, estão mais para curtas-metragens, na verdade.

Veja o clipe da música "Trivial" aqui, dirigido por Daniel Tonacci

Seja lá qual for sua preferência artística, é possível que você encontre Vinícius Calderoni envolvido com alguma delas, afinal talento, criatividade e disposição não faltam para ele nem para essa trupe de novos artistas que o acompanham. Para ver os 12 clipes de Tranchã, acesse o site do projeto e confira. Abaixo, os principais trechos da entrevista que fizemos com Calderoni.

Você começou como músico ou cineasta?
Existe primeiro o desejo de ser artista. Sei disso desde meus 3, 4 anos, nunca tive um momento de indecisão, nem na época do vestibular. Sempre gostei de teatro, música, cinema...mas foi a música que aconteceu primeiro. Comecei a escrever aos 10, 11 anos e aos 15 a tocar violão e compor de verdade. Fui fazer cinema, por paixão e porque me interessava muito, mas a primeira atividade artística que profissionalizei foi a música, com a gravação do meu primeiro disco, Tranchã.

Quais são suas influências musicais?
São infinitas e diversas. Acredito que nossa geração é muito livre, temos acesso a tudo o que nos permite gostar de muitas coisas. Chico, Caetano, João Bosco são alguns dos grandes da música brasileira que estão no meu coração, mas também gosto de Red Hot Chilli Peppers, Strokes, música pop, jazz, música clássica e meus contemporâneos também, como meus parceiros do 5 a Seco, Dani Black, Pedro Viáfora, Pedro Altério e Tó Brandileone.

Como é seu processo de composição?
A palavra veio muito cedo para mim. Quando comecei a escrever, aos 10 anos, já pensava como letra de música, mesmo sem ainda tocar um instrumento. Mais tarde, tocando violão, isso começou a fluir melhor. Hoje faço uma letra e depois a melodia, ou a melodia e depois a letra, mas o compositor está com a antena ligada 24 horas e, as vezes, tem que parar alguma coisa para dar evasão a algo que vem a cabeça.

Você se considera o que?
Me considero um artista. Esse projeto dos clipes traz muito disso, essa coisa do artista sem fronteira. Trabalho com música, cinema, teatro e, se tiver um meio-termo da arte em que se possa quebrar essas fronteiras, é nela que eu estou.

Você acha que temos uma nova geração da música brasileira para se consolidar?
É difícil saber quando você faz parte desse grupo, mas me baseio muito em quem está de fora, em artistas mais velhos que gostam muito do que a gente faz, temos um grupo de gente muito talentosa. Fica difícil conceituar, e artista não gosta disso normalmente, usar o termo "MPB" já se esgotou um pouco, então eu diria que fazemos música brasileira contemporânea.

Quem são esses contemporâneos?
Essa turma aumenta cada vez mais, além dos meus parceiros do 5 a Seco, trabalho também com o Ricardo Tefé, Danilo Moraes, Rafael Altério (pai do Pedro Altério), Rafael Barreto, Giana Viscardi, Bruna Caram e eu já estou esquecendo milhares, mas é muita gente mesmo! (risos)

Você vê isso como um movimento cultural?
Não sei ainda se podemos chamar de um movimento, mas tem muita gente talentosa e especial se unindo e pode ser que fiquem todos muito conhecidos no futuro.

Hoje tem uma galera na música brasileira que procura fazer algo mais experimental e outros já são mais tradicionais. Você se encaixaria em algum ou não há preocupação em seguir uma linha?
Gosto de procurar timbres, texturas e atmosferas surpreendentes, principalmente em trabalhos dentro do estúdio. Acho que tenho um pé no experimental e um pé na tradição, visito a MPB e também acrescento minhas experimentações.

Como surgiu a ideia de mesclar a música com o audiovisual?
Eu gravei o Tranchã durante a faculdade de cinema e quando terminei e mixei, estava me formando. Tinha a ideia de fazer um clipe em pareceria com um amigo da faculdade e ele sugeriu que fizéssemos mais, e pensei, "por que não?". Já tenho tantos amigos no audiovisual que topariam fazer e, como amo música, mas não quero me afastar do cinema, resolvi fazer clipe para as 12 faixas. O que me motivou muito foi essa crença na diluição de fronteiras.

Como você escolheu os diretores dos clipes?
Eu escolhi as pessoas talentosas e as que estavam próximas de mim. A Camila Gutierrez e a Daniela Saba eram amigas de classe, o Esmir era mais velho e já estava conhecido com o vídeo Tapa na Pantera, o Otávio Pacheco eu conhecia de outras rodas de amigos, fui buscando e juntei uma galera bem bacana.

O que você pode adiantar dos shows que vão rolar?
A ideia inicial era que os clipes estreassem no show nos moldes do cinema mudo. Pensei melhor e achei que lançando os clipes antes teria mais tempo para viabilizar o processo, gerar mais assunto que seria legal as pessoas conhecerem antes. O projeto foi ganhando mais corpo e colocando na internet é bacana que as pessoas frequentem o site. Esse show vai ser uma investigação tecnológica para ver o que esse junção de linguagens pode gerar. Vamos usar trechos dos clipes em várias superfícies de projeção e o próprio palco vai virar um espaço de projeção, vamos captar imagens durante o show e usar momentos que causem diferenciais. Estamos muito acostumados a ver shows muito parecidos um com o outro e mais conservadores, e quanto mais teatral for essa apresentação, mais ela mexe comigo.

Como é o trabalho com o 5 a seco?
É um projeto paralelo, mas não é menor. Todos nós temos nossas carreiras solo e gostamos muito de tocar juntos. É um projeto que tem muita liberdade, igualdade e a gente se admira mutuamente. No fim, o 5 a Seco acaba sendo nossas carreiras também, esse ano queremos tocar mais em São Paulo, no interior e até sair do País, podemos gravar no futuro, mas ainda não temos nada fechado.

Quais são os planos para 2010?
Primeiro fechar o projeto dos videoclipes, que está com uma repercussão muito bacana. Em abril começo a gravar meu segundo disco, produzido em parceria com o Tó Brandileone, que se não sair em outubro desse ano, sai no começo do ano que vem...queremos experimentar bastante nesse trabalho. Vou dirigir o DVD da Dani Gurgel, escrevi um roteiro e vou dirigir uma peça com o Rafael Gomes e ainda dirigir um curta.

Serviço
Os 12 Clipes de Tranchã
Quando: 19, 20, 21 e 26, 27 e 28 de março. Sextas às 21h30, sábados às 21h e domingos às 19h
Onde: Sala Crisantempo
Rua Fidalga, 521 - Vila Madalena - São Paulo/SP
Tel: (11) 3819-2287
Preço: R$ 40

Atualizado em 20 Mai 2014.

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