Enquanto a molecada curtia o Dia das Crianças, teve muita gente grande que correu pra comprar brinquedo. Mas nada de carrinhos e bonecas. Na 15ª Erótika Fair, que rolou entre 09 e 12 de outubro em São Paulo, os adultos levaram pra casa coisas como "Garanhão", "Ricardinho".
Foram quatro dias de shows, nudez, acessórios e muitos curiosos. "É diferente, dá vontade de conhecer", conta a bancária Marcia, de 26 anos. Ela e o marido visitaram a feira pela primeira vez e se divertiram com os pênis de borracha da loja
Prazer & Cia. "Não é algo que eu estou acostumado a ver por aí. Mas deve ser divertido para quem gosta! Eu não preciso não", gargalha o marido Eduardo.
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O novo swing do swing
Se Eduardo não precisa, há quem precise. As lojas lotaram de visitantes - em sua maioria mulheres - interessados nas últimas novidades do mercado erótico. Um dos produtos de mais sucesso era um líquido que prometia dar cor e sabor ao esperma. Clientes ouviam atentos ao atendente, que demonstrou o modo de uso num objeto fálico.
Por falar em objeto fálico, não houve quem passasse imune ao estande do pintor Pricasso que - perdoem o trocadilho - pinta com o pinto. O australiano trabalhava ao vivo numa vitrine, enquanto o público assistia e fotografava. O processo era o seguinte: depois de dr lambuzar com vaselina, o pintor mergulhava o órgão sexual na tinta e esboçava o retrato de seus clientes. Depois, coloria, ainda com o dito cujo, e fazia o fundo com a bunda.
Essa era a parte "light" da Erótika Fair. No pavilhão Erótika Hot é que festa rolava de verdade. Logo na entrada, o visitante se deparava com um grande palco que tinha um poste de dança. Lá, durante todo o evento,
strippers masculinos e femininos se apresentaram. A empolagação foi tanta que um ou outro animadinho chegou a subir no palco para participar do show.
A participação do público, aliás, rolava livre, leve e solta. Em cabines espalhadas pelo pavilhão, por exemplo, modelos faziam shows de dança sensual, exclusivos para o felizardo(a), cujo único trabalho era deitar confortavelmente num puf. Se a pessoa quisesse ir além, poderia entrar numa cabine com homens e mulheres que, separados uma parede cheia de buracos, se apalpavam por quanto tempo quisessem.
A grande novidade do Erótika Fair deste ano foi o Castelo dos Prazeres. Organizado por Sheyla Dantas e os Amigos do Swing, o stand era o maior do Erótika Hot. Por um labirinto, a brincadeira dos buracos se repetia em escala maior. Quem seguisse até o fim dava de cara com uma entrada permitida apenas a casais. Mas ninguém ficava curioso durante muito tempo já que, mais à frente, o segredo era escancarado numa vitrine. A sala fechada contava com duas camas grandes para troca de casais. E sexo explícito pra quem estivesse de passagem.
Houve casais que, empolgados com a cena, aderiram à brincadeira. Mas isso foi uma minoria. Os mais discretos (mas nem tanto) deram uma chegada nas salinhas, abertas e com cadeiras ou puffs para quem quisesse aproveitar o clima de sensualidade no ar.
Apesar de divertida para o grande público, a Erótika Fair não escapou das críticas. "Não faz sentido. Não deveriam fazer outra", disse um lojista que não quis se identificar. Para ele, fazer um evento desses duas vezes ao ano traz prejuízo, além de denegrir a imagem da indústria. Um taxista do lado de fora também chiou quanto à queda na audiência: "Nem se compara ao público que compareceu na edição anterior".