O DJ
Márcio Vermelho chegou no cenário da música eletrônica para ficar. Profundo conhecedor da disco, seus sets na pista são contagiantes e inspiradores. Mas o seu contato com essa vertente da e-music não é de hoje. Sua primeira apresentação como profissional foi lá atrás, mais precisamente em 2001, na festa Mi Casita, quando ele dividiu a cabine com o DJ belga
K-Rim.
Hoje, com o nome mais do que conhecido no mercado, Márcio tem projetos em duas das melhores casas da cidade: o
Ludo no
Vegas e a
Perversa no
Clube Glória. Quem nunca teve a oportunidade de vê-lo tocar, ainda não sabe o que está perdendo.
Leia mais:
Drop Kick recebe Márcio Vermelho esta noite
Fotos: Kim Ann na Ludo
Fotos: Perversa
O DJ conversou com o
!ObaOba sobre sua carreira, influências disco e ainda contou um monte de novidades pra gente. Delicie-se!
!ObaOba: Como a disco music entrou na sua vida? Para você é apenas um estilo musical ou um lifestyle?
Márcio Vermelho: A dance music tem as suas raízes na disco, foi impossível não sofrer a influência desse estilo ainda criança, na década de 80. Meus pais sempre gostaram muito de música e cresci em um ambiente rodeado de LPs, vitrolas e fitas K7, de estilos diversos. Sempre me identifiquei com as batidas, baixos e a musicalidade da disco music. Atualmente, a disco voltou a ser um vigoroso estilo musical nas pistas do mundo todo, mas nos anos 70 representou um movimento muito mais forte, foi algo além da música (muito moderna para a época), que influenciou o comportamento das pessoas e marcou o início da era dos clubes, djs e toda a história que conhecemos hoje.
!ObaOba: Quais são as musicas, tanto disco como ítalo disco, que na sua opinião são atemporais?
São muitas, dá para elaborar uma longa lista. Para simplificar, vou citar duas faixas que gosto muito:
Disco: Gwen Guthrie - Hopscotch (Larry Levan Remix)
Italo disco: N.O.I.A - True Love
!ObaOba: Você acha que disco/italo/acid house podem formar um novo estilo musical?
Há inúmeras produções de disco com elementos de ítalo e acid house, e essa fórmula está em alta atualmente, um exemplo disso são nomes como
Azari & III que tem lançado faixas interessantes. Mas não é novidade, essa combinação de estilos já existe há tempos, não acredito que formem um novo estilo musical.
!ObaOba: Qual a sua aposta para esse semestre? A disco continua ou não?
Continua. A disco é multifacetada, com vários subgêneros, então muita coisa boa ainda será produzida e tocada. A nu disco de
Lindstrom e companhia já deu sinais de cansaço e mesmice, mas é sempre bom ficar de ouvidos atentos; às vezes aparece algo bom. A disco tem conquistado espaço nos sets de DJs que costumam tocar outros estilos e o mainstream está surfando na onda disco também. Por isso, acho que ainda tem fôlego pela frente. Mas a minha aposta é na house: há muita coisa boa do estilo sendo produzida e a prova disso são os lançamentos de selos e produtores de qualidade se voltando à boa, velha e sempre renovada house music.
!ObaOba: Como surgiu o convite para participar do programa Beats In Space do DJ e produtor Tim Sweeney da DFA?
O
Tim Sweeney conheceu o meu som pelo
Facundo Guerra (dono do clube Vegas), no final de 2007. Nessa época toquei com alguns artistas do selo
DFA, como o
Todd Terje, na FASE, que rolou no Rio de Janeiro. Logo depois o Tim entrou em contato comigo dizendo que tinha ouvido os meus sets e gostado muito. Poucos dias depois, me procurou convidando para participar do programa.
!ObaOba: Você fez a trilha para o desfile do estilista Pedro Lourenço no SPFW de 2008. Esse ano você criou mais alguma para ele ou outro estilista? E como funciona o processo criativo para um trabalho desse gênero?
Em 2009 não trabalhei com trilhas para desfiles. Foi interessante fazer a trilha para o Pedro - ele tinha muitas idéias e referências para apresentar a sua "moda-arte", uma coleção sem foco comercial, e captamos bem o que ele tinha em mente. Dividi a produção da trilha com o
Renato Patriarca, grande amigo e produtor musical.
!ObaOba: Qual a dica que você dá para alguém que está começando conseguir garimpar as melhores faixas?
Pesquisa intensa, sem limitações de fonte, e muita paciência. É fácil ficar de olho nos charts por aí e pescar os melhores hits, mas o grande diferencial é apresentar faixas diferentes, novas, boas e exclusivas. Lojas de discos, blogs, programas de rádio alternativos, sites especializados, vale tudo no garimpo.
!ObaOba: Fora disco e música eletrônica em geral, o que você costuma ouvir?
Com tanta pesquisa focada na dance music não sobra muito tempo para ouvir estilos que fujam muito disso. Costumo ouvir grooves psicodélicos, um pouco de rock e atualmente bandas como
Fever Ray e
Florence + The Machine.
!ObaOba: Na maioria das entrevistas, sempre pedem ao artista que ele dê dicas para quem quer ser DJ. Vamos perguntar o contrário: o que alguém que quer ser DJ e trabalhar com música eletronica não deve fazer no começo de carreira?
Achar que tocar é simplesmente plugar o iPod no mixer, e tocar qualquer coisa, sem se preocupar com detalhes importantes como equalização, mixagem e o mais importante: um set no mínimo elaborado. Outras coisas a evitar: não apresentar um trabalho inovador, "copiar" o chart de outros DJs e não se movimentar em produzir os próprios projetos e só esperar ser convidado para tocar.
!ObaOba: Quem anda chamando sua atenção na cena nacional e internacional?
Um destaque da cena nacional é o produtor
Rotciv (
Victor A.), que vem conquistando cada vez mais o seu espaço com ótimas produções, remixes e edits, com reconhecimento de DJs e da mídia.
Pedro Zopelar é outro nome a ser lembrado, tem produzido muita coisa boa.
O que podemos esperar de Márcio Vermelho para o segundo semestre desse ano?
Podem esperar de Márcio Vermelho para o segundo semestre algumas novidades: um programa musical chamado
Sphinx, com muita música boa e sets exclusivos, na nova rádio online que vai dar o que falar, a
Raydio Storm. E também uma residência semanal no clube novo da cidade, o
Hot Hot. Continuo produzindo e tocando na festa Ludo, com os melhores convidados da house e disco, inclusive grandes nomes internacionais (
Pilooski é o convidado de novembro). E a festa
Diamond, de grooves raros, que faço com o DJ
Hubert, volta com tudo, em novo endereço. Aguardem!