Mameluco (índio com branco) afrobrasileiro (negro nascido no Brasil); juntos, eles são a pedra fundamental da formação cultural deste país. Era isso que o cantor, instrumentista e compositor
Wesley Nóog queria transmitir quando batizou de
Mameluco Afro Brasileiro seu primeiro disco solo, cujo repertório ele apresenta nesta quinta-feira (24/09), de graça, no Itaú Cultural.
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"O índio estava nesta terra antes do Século XVI, quando chegam os brancos", filosofa Nóog. "Duzentos anos depois, chega o negro e você tem esses 500 anos de engendramento genético, essa tríplice formação genética". Embora a ideia já povoasse sua cabeça há longa data -
Mameluco Afro Brasileiro foi lançado em novembro de 2008 - foi na turnê europeia que ele acaba de terminar, que Nóog pode constatar a miscigenação na prática. "Existe um europeu padrão: um francês padrão, um alemão padrão, mas não existe um brasileiro padrão. Se a gente tem uma denominação como povo, é ´Mameluco afrobrasileiro´". Resumindo: o disco poderia se chamar simplesmente "brasileiro"? "Poderia. Mas não... Porque você perde o sentido da formação. ´Eiro´ é um ofício: pedreiro, marceneiro, carpinteiro. Brasileiro é o cortador de pau brasil!", ri.
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Para sintetizar tudo isso em música, Wesley Nóog apelou para o samba, o funk, o rock, o soul e o samba-rock. "Tudo com uma batida acessível e uma poesia simples". De poesia, aliás, o cara entende. Há mais de 15 anos, ele e Gaspar (MC do grupo de rap Z´África Brasil) comentavam que precisava nascer um movimento artístico da comunidade para a comunidade, que pudesse transformar de fato não só quem estivesse envolvido, mas o contexto em que ele se desenvolvesse - a própria periferia. Lá por 2004, 2005, Gaspar ligou para Nóog: "Wesley, você precisa chegar num projeto louco que está rolando! Chama-se Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia)". Dito e feito: após alguns canos - culpa da agenda abarrotada de sua banda na época, a Estação Fankalha -, ele chegou e não saiu mais. "Meu primeiro contato com a Cooperifa foi extremamente mágico: ali estava de fato tudo aquilo que a gente vinha imaginando. Comecei a me envolver e o trabalho que eu já fazia com a poesia se fortaleceu: mergulhei a fundo nessa questão de valorizar a palavra - fazer a ligação da sonoridade da música com a sonoridade da palavra".
Clique aqui e veja Wesley Nóog cantando "Espelho d´Água" ao vivo
Palavras à parte, nesta quinta-feira, Wesley Nóog tem um oportuno reencontro com a Cooperifa, representada pelos poetas Sérgio Vaz e Márcio Batista, criadores da cooperativa e convidados especiais do show. Além de um pequeno sarau na abertura do show (nos moldes dos que a Cooperifa faz hoje por toda a cidade), os dois devem fazer algumas inserções em trechos instrumentais. "Vai ser um encontro da palavra falada com a palavra cantada. A ideia é que seja um laboratório pra gente fazer, num outro momento, uma coisa mais elaborada, misturando bastante a música à poesia, com a banda fazendo uma trilha sonora". Modelo, aliás, bastante africano. Em vários países da África, é comum que os contadores de história sejam acompanhados por um instrumentista que lhes faz trilha sonora. Se o modelo é de lá, por aqui, ele ganha tons de índio e de branco. "Discutimos a brasilidade. Isso envolve o índio, o negro, o branco, todos os elementos sociais, econômicos e políticos. Estar lá (no Itaú Cultural) é fazer parte dessa discussão e ajudar a definir as bases dos próximos papos". Afinal, "o trem da história está aí; não pode deixar ele passar".
Serviço:
O quê: Show de Wesley Nóog e 1Banda
Quando: Quinta-feira, 24/09, às 20h
Onde: Itaú Cultural - Av. Paulista, 149
Quanto: Na faixa!
Informações:
Site oficial