Oito amigos se encontraram em São Paulo, em 2003, numa festa e resolveram montar uma banda. Sem saber tocar direito, mas com muita energia e vontade de se divertir, receberam várias críticas no Brasil, sempre radicais - a favor e contra. Depois de idas e vindas de integrantes, consolidaram uma banda que mistura influências de rock, pop, música eletrônica e outros tipos de arte, como cinema, design e moda. Primeiro grupo contratado do selo TramaVirtual, o
CSS está entre as bandas brasileiras recentes de maior visibilidade internacional, com participação em inúmeros festivais pelo mundo. Agora, depois de 17 meses longe do Brasil, se apresentam no festival
Planeta Terra. Alguns de seus primeiros hits de sucesso são ?Ódio, Ódio, Ódio, Sorry C.? e ?Meeting Paris Hilton?. O !Obaoba entrevistou a guitarrista Luiza Sá, que conta como foi conhecer Paris Hilton, o que a banda aprendeu lá fora, quais são as expectativas para o Planeta e mais:
!Obaoba: Estão com saudade de tocar no Brasil?
Luiza Sá: Ah, sim. Não sei dizer se é saudade porque a gente
toca todo dia faz uns 18, 19 meses... Então, não é saudade em si de tocar no Brasil. O Brasil sempre dá saudade. Acho que o show vai ser incrível e ao mesmo tempo não dá pra saber como vai ser, sabe? O último show foi bem legal, no Sesc Pompéia, [em São Paulo], mas eu realmente não sei o que esperar, se vai ser igual ou diferente. É diferente tocar quando você tem todos os amigos e família assistindo e tem um peso de "a banda que faz sucesso fora, vamos ver se é boa mesmo" da mídia. A gente vai fazer o show que a gente sempre fez e que a gente faria em qualquer lugar, a discriminação (no sentido de diferenciação) nunca parte da gente. Gostamos de tocar e tem toda essa coisa de ser nosso país etc. Mas a gente nunca vai se concentrar nisso, a gente vai se concentrar, como em qualquer show, em qualquer lugar, em fazer o melhor show possível.
!Obaoba:O que vocês aprenderam com essa fase do CSS fora do Brasil?
Luiza Sá: Tudo. No Brasil as coisas não eram profissionais da forma que é aqui. Tem muito mais mercado fora do Brasil para coisas de "médio" porte, e uma coisa que quebrou na minha cabeça foi achar que o Brasil é ?isso? e os outros lugares ?aquilo?. Todo lugar tem coisas boas e ruins, gente boa e ruim. A gente tocou, tocou e tocou mais um pouco. Não acho que aprendemos a fazer um show, porque a gente já fazia muitos no Brasil, mas aprendemos muita coisa e fizemos shows num porte enorme já e com todas as situações que se possa imaginar. Mas não é que agora estamos voltando pra casa, apenas começamos a trabalhar e o nosso mercado é mundial, e o maior desses mercados não é o Brasil. Até para nós foi uma boa surpresa tocar aí numa situação boa e profissional, mas não estávamos realmente esperando por isso. Acho que o Brasil merece o melhor que a gente pode ser, assim como qualquer outro lugar que a gente vai tocar.
!Obaoba: De tudo o que vocês conquistaram, qual vocês consideram o maior feito do CSS?
Luiza Sá: Não sei colocar uma coisa apenas. Tudo que a gente fez a gente se orgulha e a gente sempre se envolveu em todos os processos e pedaços de ser uma banda, a gente nunca deu uma coisa nossa para outra pessoa trabalhar, a gente sempre agregou pessoas, mas sempre tivemos controle, a gente fez porque quis e a sabemos muito bem que é mérito nosso e o quanto trabalhamos. Acho que o CSS ainda tem muita coisa pra fazer, mas acho que não tem
um grande mérito. Acho que o grande mérito é viver de acordo com o que você acredita. Se você conseguir manter isso é o maior feito.
!Obaoba: Irrita as fofocas sobre a banda, principalmente as envolvendo a Lovefoxx?
Luiza Sá: Eu nunca leio fofocas. Mesmo. Simplesmente não faz parte do meu mundo, eu nunca perco tempo buscando essas coisas e faz muito tempo que não tenho lido nenhuma fofoca envolvendo a gente... E eu não levo essas coisas a sério. Eu, pelo menos.
Acho que quem lê fofoca e as leva a sério também não merece muito crédito. Rola uma necessidade humana de ver as pessoas famosas no pior estado possível, que nem essas mil revistas dedicadas a falar mal de celebridades. Acho que é uma necessidade humana, vai ver...
!Obaoba: O que vocês e a Paris Hilton conversaram?
Luiza Sá: Nada em especial, o que você conversaria com ela? A gente tinha terminado de fazer um show super importante, não é que foi uma reunião privada com ela, ela viu o show e gostou e a gente se conheceu, como qualquer outra pessoa que estava lá, só isso.
Ela foi super simpática e educada. Tinham muitas pessoas junto (inclusive outras pessoas famosas) e depois de um show como aquele você normalmente parece que levou um choque e só acalma um tempo depois. A gente se separou no backstage para assistir outros shows do Coachella e ninguém nunca mais encontrou a Paris. Ela foi presa logo depois do Coachella, eu lembro.
!Obaoba: Se vocês pudessem apresentar São Paulo para Lily Allen, qual seria o roteiro?
Luiza Sá: Ai, sei lá. Não quero falar meus lugares preferidos para todo mundo descobrir eles aqui numa entrevista mas acho que a gente levaria ela pra comer, com certeza (ai vão mil opções de restaurantes japoneses, judeus, árabes... Qualquer coisa, né? Comida em São Paulo é absurdamente boa!) e de repente uma coisa bem clássica tipo o Terraço Itália para olhar pro tamanho de São Paulo. A cidade é muito impressionante por si só, o tamanho da cidade. Mas com certeza eu levaria ela pra comer pastel, pão de queijo e em alguma festa ou num buteco. Não importa onde, Brasil é
sempre divertido. Ou levaria ela no centro, na 25 de março para assustar bastante. Acho que ia assustar e fascinar. Todos meus amigos de fora do Brasil amam a 25, compram milhões de coisas que eu nunca compraria, tipo toalha, roupa, mil coisas pequenas meio inúteis.
!Obaoba: Parece que aqui no Brasil "cansaram" de criticar o CSS. O que vocês acham disso?
Luiza Sá: Acho que já deu tempo de cansar, né? Eu nunca entendi esse ódio e essa necessidade pessoal de criticar a gente. Não é algo calmo e frio como, sei lá,
"acho que essa música é ruim". Sempre foi algo tão extremo, como se a gente ofendesse as pessoas por existir, como se fossemos o diabo... Gente, é só uma banda! Só que se a gente incomodou tanto é porque tem alguma coisa de errado com quem critica e não conosco. Mas a gente nunca fez nada para ninguém desde o começo, então independente de quem fala o quê, estamos felizes, não faz muita diferença.
Não é que agora
tudo mudou. Nada mudou pra gente, a gente tava bem e continua bem, sendo verdadeiros. Se mais pessoas decidem entender e aproveitar as coisas boas que a gente pode oferecer é muito bom.
!Obaoba: Qual remix de CSS vocês mais gostam?
Eu pessoalmente adoro um dos mais antigos, o do Diplo de ?Let´s Make Love...?.
!Obaoba: Os brasileiros podem esperar surpresas para o show?
Surpresas? Ai... Acho que eles podem esperar alegria e diversão, mas não sei se tem como fazer muita surpresa porque hoje em dia você pode ver tudo que aconteceu hoje na internet, é tão rápido. Talvez terão algumas surpresas mas aí... É surpresa, não?
Eu diria, ?vai e se diverte, não fica esperando a iluminação divina?, porque não é nada disso. Mas se você quiser se divertir eu acho que pode ser bom.
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