Se o assunto for Anos 80, pode falar com ele. O DJ e produtor musical
Marcos Vicente, idealizador do projeto
Autobahn - De Volta Aos Anos 80, fala sobre um pouco mais de uma melhores décadas se o assunto for música. Além disso, comenta sobre os grandes ícones da época, sobre a qualidade das letras da música na atualidade até sobre como é tomar uma café de manhã na lanchonete Estadão depois da balada. Confira a entrevista de Marcos Vicente ao !ObaOba:
!ObaOba: Marcos, você se considera um apaixonado pela década de 80 e pelas canções daquele tempo. Qual a diferença entre a música daquela época e as de hoje em dia?
Marcos Vicente: Em primeiro lugar, letra. As músicas tinham letra, uma preocupação com o que cantar e tocar. Foi a década das gravadoras independentes, que davam total liberdade para as bandas, a década da criatividade musical sem medo de ser feliz. Comparar é simples, peguemos um exemplo, as músicas e letras do Titãs, Camisa de Vênus e Ira... hoje em dia, as letras de É o Tchan, Babado Novo, Tati Quebra-Barraco. São exemplos que falam por si
!ObaOba: O projeto Autobahn resgata a cultura e as canções dos Anos 80. Artistas como U2, Noel, New Order, Pet Shop Boys, The Cure e Madonna sempre são lembrados em suas discotecagens. Daqui 20 anos, quem estaria em seu set list, se houvesse o "Projeto Autobahn ? De Volta aos Anos 00"?
Marcos Vicente: Provavelmente estarei tocando Depeche, New Order, Smiths e The Cure. Pois, embora a moda esteja no auge e seja comum
revivals de décadas anteriores, o Autobahn começou quando a moda era fazer festas anos 70. Em pleno 1993, todas as casas tinham uma noite anos 70 e, contra a correnteza, o Autobahn criava o revival anos 80. Quando começamos a festa, nem imaginávamos que o revival anos 80 iria tomar tamanha proporção. Na época, várias pessoas vinham de outros estados e hoje vemos vários filhos do Autobahn espalhados pelo país.Hoje em dia ouço bandas que estão fora do
mainstream aqui no Brasil, mas lá fora lotam shows e festivais, como Wolfsheim, De/Vision e Anything Box. Infelizmente acho que a nata dos 90 e 00 vai passar longe das pick-ups brasileiras por muitos anos.
!ObaOba: O que não sai do som do seu carro?
Marcos Vicente: Human League, New Order, Depeche Mode, Pet Shop Boys, Duran Duran e Erasure.
!ObaOba: Além da festa no Hotel Cambridge, quais baladas você recomenda ao público do !ObaOba ?
Marcos Vicente: Recomendo a festa Autobahn que vai estrear no
Maavah, um barzinho luxuoso do Tatuapé, uma alternativa para quem não quer ficar somente na pista de dança e prefere curtir uma boa música com os amigos em um lounge bar. Fora isso, recomendo, e muito, as noites do
Lov.e.
!ObaOba: Temos no site, um guia de restaurantes e lanchonetes, o "Pra Comer". Você recomenda algum restaurante ou alguma lanchonete ao público do !ObaOba ?
Marcos Vicente: O
Halim é ótimo. Quando o assunto é comida Árabe, este é o top. Gosto muito também do
El Mariachi, onde o visual e a música são típicos, isso é importante, um conjunto de coisas no ambiente para remeter ao país, a época. Agora, imperdível mesmo é tomar um café da manhã no
Estadão , logo depois de sair da festa Autobahn, pode ser até um pingado com pão na chapa, mas é a melhor coisa do pós-balada.
!ObaOba:Há alguma diferença entre as baladas de hoje em dia e as baladas dos Anos 80?
Marcos Vicente: Que tal se eu falar do
Ecstasy (droga)? Naquela época, a música era tão boa, que não eram necessários artifícios para curtir uma balada. A droga era uma coisa bem
"out". Hoje em dia, parece que não tem nada mais
"in" do que drogas numa balada.
!ObaOba:Qual o motivo de tanto interesse na década de 80?
Marcos Vicente: O nascimento da música eletrônica. Através de Kraftwerk (que já vinha com experimentações desde os 70), Depeche Mode, New Order e Gary Numan, a linha da história da música fazia uma curva. Simplesmente centenas de novos timbres eram descobertos e usados no dia a dia. Com certeza o Kraftwerk e o som dos anos 80 um dia serão estudados pelos nossos filhos nas escolas, como hoje conhecemos Beethoven, Mozart e Chopin. O reconhecimento geralmente demora décadas.
Houve também o surgimento do músico-DJ, quando pick-ups e mixers viraram instrumentos, DJs que formaram seus próprios grupos como Afrika Bambaata, Bomb the Bass, S-Express, Out of Ordinary, entre outros. A mudança da linha da história da música. A partir dos 80, o mundo pôde contar com a eletrônica na música Pop e no Rock tecnológico.
continua...