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São Paulo, 23 de março de 2007 Por: Thaísa YadnakEntrevista: Lalai e suas mil e uma noites
Divulgação  O nome dela é Elaine Santos, mas quase ninguém a chama assim. Há 5 anos, ela ganhou o apelido Lalai - de um amigo num encontro de blogs - e assim ficou conhecida até hoje. A sua profissão é produzir festas que ocupam os principais clubes de São Paulo, sempre com grande aprovação de um público exigente. Atualmente, são 6 festas fixas: a [in]finita (de house e tech-house que rola mensalmente no 8 Bar); a "Rebel! Rock´n Roll Party" (de electro e variáveis do rock); a "Tara" e a "Rock and All", que já contou com as apresentações de Bonde do Rolê, Soulwax e o projeto 2 Many DJs, além da banda mineira Digitaria.
O seu projeto récem lançado, o "Electrix", de electro na Clash Club, estreou em março deste ano e recebeu na primeira noite o DJ inglês Jon Dasilva, do lendário clube inglês Hacienda. Em abril, quem comandará as pistas desta festa mensal será a Lady Miss Kier, a cantora do grupo Dee Lite.
Lalai é produtora, escritora, editora da agência de publicidade Click e também brinca de DJ. Ela tem um grande acervo de sons e adora colocá-los na pista. Esta diversão foi recentemente conferida no Clube Glória, onde seu time foi campeão na “Batalha de Ipods” [leia mais sobre o evento], festa que o núcleo Surface to Air trouxe da França para o Brasil. O evento foi promovido e ganho por ela, ou melhor, pelo seu time, que levou o cinturão da competição (foto).
Com todas essas inquietações, Lalai ainda encontra energia para acompanhar o mundo da moda, ouvir artistas desconhecidos no volume máximo – escuta pelo menos um som novo por dia – e guardar tempo para ler revistas e livros.
As estantes, repletas de obras ecléticas, não mostram o que seu corpo sutilmente revela: é apaixonada pelo Rimbaud. Mas, as obras deste autor ela esconde e não empresta para ninguém. Possui tanta adoração pelo escritor francês que fez uma tatuagem (foto) nas costas, com a frase “Je est un autre” (eu é um outro, na tradução). Marca que está também no braço do DJ e cineasta Fabiano (Fabilipo), um grande amigo com quem Lalai lançou projetos de noites roqueiras e eletrônicas.
A promoter passou duas horas descontraídas com o !ObaOba e contou sobre suas festas, novos sons, curiosidades e deu dicas de como se divertir em São Paulo.
!ObaOba: Como surgiu a idéia de produzir festas?
Lalai: Na verdade, não foi bem uma idéia. Sempre gostei muito da noite e tenho alguns amigos que falavam que eu levava jeito para ser promoter, já que eu decidia onde nossa turma iria sair. Há dois anos, comecei a trabalhar na agência de propaganda [Click] e entrei no projeto Vibezone da Coca-Cola. Quando fui cobrir o evento, conheci o [DJ] Renato Lopes, que discotecava lá. Sempre curti mais o rock and roll e nunca havia prestado atenção em música eletrônica. Mas o set do Renato foi maravilhoso. Entrei em contato com o mesmo e ficamos amigos. Numa de nossas conversas ele me contou sobre um projeto e me convidou. Assim surgiu a [in]finita, uma festa mensal de house e tech-house que estreou em outubro de 2005.
!ObaOba: A [in]finita foi a primeira, mas como vieram as outras?
Lalai: A [in]finita começou a ir super bem e curti a brincadeira. Em janeiro de 2006 eu pedi para o dono do 8 Bar me deixar fazer uma festa de rock lá. A princípio ele foi um pouco contra, porque o lugar era mais voltado à house music. Mas falei para ele que o projeto seria aos domingos, que é um dia em que o bar não costumava abrir, assim não atrapalharia o público tradicional dele. O Ricardo topou e nasceu a Rebel!. Assim foi, um projeto puxou o outro. Houve uma oportunidade no Clube Glória e me ofereci para organizar a noite “Tara”, na qual o Iggor Cavalera discotecava. A festa já rolava, mas não tinha promoter, acabei produzindo esta noite. As coisas estão crescendo e eu não tenho tempo para mais nada [risos].
!ObaOba: Onde você busca idéias e temas para seus projetos?
Lalai: Geralmente eu procuro fazer a festa que eu gostaria de ir. Às vezes tenho dificuldade, porque surge algo que é do estilo que eu não conheço muito, como o house, por exemplo, e que está entrando na minha vida aos poucos. O Renato [Lopes] e a promoter Anny sempre me dão dicas. O Iggor Cavalera e a Laima [Leyton] trazem idéias bacanas. O Fabiano [DJ e cineasta Fabilipo] morou muitos anos no exterior e é meu parceiro na produção das festas. Eu também gosto muito de pesquisar a cena lá de fora, principalmente pela Internet. O site “Cool Hunter”
é imprescindível, sempre dá para obter idéias com ele. Outra referência musical é o Big Stereo. Também tenho muitos amigos que moram no exterior e como eles sabem que eu trabalho com festas no Brasil, me passam as novidades.
!ObaOba: Quem são seus amigos gringos?
Lalai: Atualmente eu estou com três grandes contatos. Um é o Moritz, fotógrafo de Berlim, o segundo é o Duwnich, produtor de festas em Paris, e o terceiro é o Larry Tee, DJ e produtor de minimal, em Nova York. [Lalai aproveita e mostra a banda “The Hidden Cameras”, a preferida de seu amigo nova iorquino]. O Larry Tee tem uma história bem legal, ele tocou aqui no Natal do ano passado e eu o levei para passar a data com minha família. No meio da noite eu pedi que ele animasse a festa com uns CDs que ele curtia. Minha avó depois veio me falar: “Nossa, o som desse ano aqui em casa ficou melhor, hein”. (risos).
!ObaOba: Quais são as noites internacionais bacanas que você pesquisou e gostou?
Lalai: Tem uma festa que interliga várias cidades, mas eu ainda não tive muito tempo para ler e entender como funciona. Também tem uma festa diferente que acontece em Amsterdã. As pessoas vão para a festa com seus Ipods e cada uma fica ouvindo o seu tocador de MP3 com fones e não tem DJ. Confira a cobertura da festa.
!ObaOba: Cada um fica com seu IPod e ouve o próprio som?
Lalai: Pois é, a interação é corporal e visual, ninguém se fala. Eu acho engraçado, não sei bem o que acontece, talvez se rolar interesse as pessoas devem trocar o Ipod, algo como: “Ah, agora ouve um pouco o meu que eu vou ouvir o seu" (risos). Até esses tempos atrás, eu vi algo parecido num clube daqui de São Paulo. Um cara estava sentado e ouvindo o seu Ipod no meio da festa. Eu não resisti e fui lá perguntar porque ele fazia isso. Ele me respondeu que gostava de rock e a festa era de house. Acho que ele tava lá só pra ver pessoas e sair um pouco de casa.
!ObaOba: E no seu MP3 player, o que toca?
Lalai: Acho incrível os artistas que fazem um mix de rock com música eletrônica, como The Klaxons, por exemplo. Uma das ótimas bandas que ouço muito no momento é a
Noblesse Oblige (foto).
Continua...
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