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VAIDADE: VALE O QUANTO PESA?
 por Iraê Carlovich


Imagine chegar em casa e sentar no sofá para relaxar e ver seu programa favorito. Ao ligar a TV você se depara com pedaços de carne sendo cortados aos montes, litros e mais litros de sangue quase que jorrando pela tela sendo aspirados por um tipo de máquina estranha, fatias enormes de gordura sendo manuseadas de maneira mais que natural. Você não acha que de início pode parecer que se trata de mais um daqueles programas sobre animais selvagens se digladiando por alimentos em uma floresta da África? Ou talvez um daqueles noticiários sensacionalistas que mostram em detalhes as desgraças geradas pela violência nas grandes metrópoles?

No entanto, estamos diante de um novo tipo de programa, hoje em dia tido como tendência na televisão, e que tem como tema a cirurgia plástica. Isso mesmo, a carne sendo cortada e o sangue jorrando são cenas de intervenções cirúrgicas que agora estão presentes no horário nobre da TV, dividindo espaço com programas e filmes consagrados.

Tarcísio Jasper: “Se a pessoa está decidida a fazer uma plástica, procure um bom profissional e faça. Mas antes, vale refletir sobre o assunto”
Esse é o novo reflexo de uma geração que, a cada dia, se preocupa mais com a vaidade. Agora, além de estar presente nos peitos siliconados, corpos sarados, rugas alisadas das celebridades do momento a cirurgia plástica aparece como tema principal em reality shows e também vira tema de seriados. “Atualmente, a mídia cria padrões de beleza que tornam as pessoas reféns. Ou seja, é uma geração que é muito mais preocupada com a imagem, não é à toa que esses programas começam a virar febre”, analisa a psicóloga Virgínia Garrote.

A cirurgia plástica, aos poucos, começou e ganhar status de produto e recentemente começou a ser tratada como um objeto a ser comercializado pelos meios de comunicação e consumido pelo público. “Toda essa obsessão em busca de um belo corpo e a busca pela beleza física tem feito com que as plásticas sejam mais procuradas. Hoje, clínicas chegam a parcelar uma cirurgia em até 50 vezes. Isso é um reflexo dos tempos em que vivemos, na qual a vaidade é uma das principais preocupações das pessoas”, explica o cirurgião plástico Tarcísio Jasper.

O Brasil já é recordista em número de plásticas pelo mundo. Até 2000, o país teve aproximadamente 350.000 operações e ultrapassou os EUA, tradicional líder em número de cirurgias. O médico Tarcísio Jasper afirma que a cultura brasileira favorece este aumento nas estatísticas da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. “O Brasil é um lugar que exibe muito o corpo. Basta pensar no verão, o carnaval. Esse é um fator determinante para que o número de plásticas no país aumente”, diz.

E o sucesso dos reality shows sobre o assunto? Será que é mesmo assim tão grande? Para se ter um exemplo da força desses programas, nos Estados Unidos, onde já existem diversas séries que tratam sobre o tema, emissoras como a MTV, que costumava ter atrações exclusivamente ligadas à música, criou um programa com o tema cirurgia plástica que mostra jovens que optam pela intervenção cirúrgica com o intuito de ficarem parecidos com seus ídolos.

Virgínia Garrote: “A busca pela perfeição pode se tornar obsessiva, um distúrbio psicológico. Então é necessário que se tome cuidado com a vaidade”
Para o doutor Tarcísio, esses programas podem exercer uma influência negativa sobre os telespectadores. “É necessário que se observe a estes seriados com atenção. Neles, as pessoas não ficam com cicatrizes, por exemplo. Nenhum alerta é dado em relação aos riscos das cirurgias. Quem assiste a estes programas deve ter a consciência de que a cirurgia plástica oferece riscos como qualquer outra”, acredita o cirurgião.

É impossível dizer o quanto estes programas influenciam as pessoas, mas é certo que parte do público que assiste a essas atrações fica tentada a realizar algum tipo de cirurgia plástica seja ela qual for. “Eu acredito que as pessoas que se influenciam por estes programas, já tinham uma pré-disposição, ou seja, já pensavam em fazer uma plástica. Acho que talvez estes seriados as encorajem a procurar um cirurgião”, diz Virgínia.

O perigo é que aqueles que optam por modificar o corpo através de intervenção cirúrgica às vezes acabam por escolher um profissional desqualificado para realizar a operação, o que pode acarretar um prejuízo sem precedentes. Ou seja, a pessoa que queria ficar mais bonita pode acabar por ter o efeito contrário, ou pior pode ter a sua saúde que afetada para sempre, como aconteceu no recente caso do cantor da banda LS Jack, Marcus Menna, que após uma lipoaspiração entrou em coma e quando acordou teve seqüelas irreparáveis o cérebro.

Mas o que realmente leva as pessoas a optarem por esse tipo de mudança tão drástico? Para a psicóloga Virgínia Garrote, um dos motivos é o comodismo. “Eu acho que além dos padrões de beleza que influenciam, outro motivo é a acomodação. Basta pensar que é muito mais fácil perder a barriga numa lipoaspiração, do que entrar em um regime e procurar malhar”, analisa.

Antes tomar qualquer decisão a respeito de modificar o corpo, a pessoa deve analisar cuidadosamente qual seu objetivo com isso. “Se você quer fazer uma plástica, tem que pensar muito no assunto. Em primeiro lugar, procure um especialista para analisar seu caso. Afinal, existem dois tipos de cirurgia: a reparadora e a estética. Se você quer mudar algo em seu corpo simplesmente por motivos estéticos, informe-se com seu médico dos prós e contras de ser operado. Plástica é um tipo de cirurgia que merece uma grande reflexão”, finaliza Tarcísio. É preciso pensar cuidadosamente no assunto. Basta se lembrar, que um corpo perfeito não é sinônimo de satisfação pessoal. A psicóloga Virgínia Garrote ainda manda uma mensagem: “Não adianta as pessoas procurarem a cirurgia plástica em busca de perfeição, porque isso simplesmente não existe. Ninguém é perfeito e de que adianta um corpo perfeito se internamente você não está bem?”, finaliza.

É isso aí!!! Curta seu corpo da maneira que você se sinta melhor e não simplesmente para estar nos padrões. Vale lembrar que tudo em excesso faz mal, inclusive a vaidade.