|
 
|

Ele é punk!
por Cátia Noronha
 |
|
Quando fui para a rua, foi uma opção bem legal
e segurei a onda sozinho. Viajei pelo país inteiro
de carona.
|
Carioca de nascença,
foi menino de rua, abusou das drogas, mas se safou. Punk por escolha,
foi criado em uma fazenda, morou com a avó, com quem aprendeu
tricot.
Esse é Heitor Werneck, uma das figuras que habitam e agitam
a cidade de São Paulo. Dono da grife , o costureiro - ele não gosta de ser
chamado de estilista - já foi responsável pelo figurino
de alguns personagens da TV, como a Mel, da novela O Clone. Também
vestiu personagens de Vamp, Pecado Capital, Malhação,
entre outras. E não acha que deixou de ser punk por ter virado
empresário. "Eu acredito na anarquia e não na
bagunça", diz.
Começou a trabalhar com moda quando ainda vivia nas ruas.
Freqüentava o Madame Satã, saudoso inferninho underground
de São Paulo, e costurava alguns figurinos em troca de comida
e pernoite. Foi quando conheceu seu amigo Paulo, que também
costurava, e passou a viver só de roupa. Ah, isso depois
de passar um ano em uma clínica se desintoxicando, após
um coma por overdose...
Além de costureiro, Heitor Werneck é um típico
agitador cultural. É idealizador do Pulgueiro, evento apoiado
pela Coordenadoria da Juventude da Prefeitura de São Paulo,
que reúne diversas formas de expressões artísticas,
como moda, música, design, artes e filmes. "O
surgiu porque tô de saco cheio de como as coisas estão
no mercado", diz. "Vendo arte e movimento eu quero acreditar
no país e nas pessoas, e não do jeito que está:
um povo com cara de cú e reclamão; um povo fútil".
 |
|
Usei droga para caralho como todo garoto de rua e me safei.
|
Sua figura pode
assustar os mais certinhos: moicano colorido, cerca de trinta tatuagens,
onze piercings, implantes na cabeça, caninos alongados parecidos
com os de um vampiro, três
e seis .
Adepto do body suspended, técnica em que a pessoa é
suspensa por ganchos cravados na pele, Heitor Werneck conta que
até o final deste ano fará uma crucificação:
"É uma técnica de suspensão em que a gente
fica crucificado no ar. Nunca foi feita no Brasil e vou fazer no
próximo Pulgueiro", avisa.
Isso te causa arrepios? E se eu disser que ele também curte
ter relações sexuais dentro de um cemitério?
"Acho cemitério super excitante. E tenho o maior tesão
por lugar com gente morta".
OK, mostramos o lado mais excêntrico de Heitor. Mas ele também
se irrita com os políticos, estuda mitologia e religiões,
acredita no amor, gosta de ficar perto da natureza, adora a família
e odeia música eletrônica!
Nesta ,
tentamos despir Heitor Werneck: aqui ele fala sobre sua infância,
sua vida nas ruas, drogas, política, trabalho, amor e a juventude
dos anos dois mil. Agora dispa-se você de preconceitos e seja
seduzido pelas histórias desta figura. E acreditem: ele é
punk!!
|
|
| |