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Straight Edge
Por Cátia Noronha
Em qualquer turma, sempre tem aquela menina fresquinha, a mais certinha,
criada cheia de mimos pelos pais que, quando menos se espera, vira
uma verdadeira doidona! Aqui a historia é diferente. Eles
não parecem ser certinhos, muito menos fresquinhos. Pelo
o contrário, parecem ser bem loucos, mas no fundo são
mais que politicamente corretos: os Straight Edgers.
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Festival Hardcore de São Paulo - 2 dias de verdurada
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Eles
curtem um som pesado (punk e hardcore), têm tatuagens e piercings
pelo corpo. Mas o que ninguém vê logo de cara, é
que eles são totalmente contra drogas e álcool. Alguns
ainda evitam o sexo casual e são adeptos do vegetarianismo
e veganismo
(excluem-se os ovos e os laticínios, presentes na dieta vegetariana).
Tudo começou por volta de 1980 em Washington. Uma banda de
punk formada só por menores de idade - Teen Idles - se revoltou,
pois eles eram proibidos de entrar na maioria dos shows que rolava
na cidade por causa da venda de bebidas. Além disso, eram
contra as conseqüências causadas pelas drogas e bebidas
- desde as brigas até as overdoses.
O símbolo universal do Straight Edge - um X - surgiu nessa
mesma época. Uma casa em São Francisco aceitava a
entrada de menores, desde que marcassem um X na mão para
o barman não servir bebida alcoólica. Com isso, muita
gente que nem queria beber (ou era maior de idade), marcava um X
na mão para expor sua postura em relação às
bebidas. Hoje, diversos straight têm o X tatuado no corpo.
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Pedro
Carvalho, guitarrista da banda I Shot Cyrus, e Straight Edge há
10 anos, explica o conceito: "O princípio máximo
do punk é a independência e a autonomia. O Straight
Edge é a aplicação disso à vida cotidiana,
é a autonomia no sentido de não deixar substâncias
químicas e códigos de conduta influenciarem suas decisões
e afetarem sua capacidade de analisar a realidade. O Straight Edge
é uma idéia, uma postura de vida e uma maneira de
vivenciar o punk".
Como
tudo que parece ser novidade, o sXe acabou virando 'modinha'. Não
usar drogas, não beber, não comer carne e não
fazer sexo casual... Pelo menos uma modinha que faz bem à
saúde :-). Mas Pedro Carvalho discorda, diz que por envolver
determinadas condutas, muita gente acaba se desencorajando mais
tarde. "Em algumas épocas fica 'bacana' ser Straight
Edge, e um monte de gente pula no vagão para saltar fora
assim que isso deixa de ser 'cool", diz.
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Flyer de balada vegana realizada no Vegethus em 2004
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Já
a estudante Kiwi, que não é e nunca foi straight,
mas tinha amigos que eram, acabou se afastando de algumas pessoas
justamente por sentir o preconceito por beber e fumar: "O baterista
da banda que eu participava era straight edge, e os outros integrantes
eram simpatizantes e eles não curtiam muito o fato de eu
beber cerveja antes das apresentações e isso me aborrecia,
apesar de nunca ter passado da conta", conta. "Pela insistência
de alguns em doutrinar os amigos, eu acabei me afastando de festas
regadas a suco de abacaxi com esfihas de queijo e sem cinzeiros",
completa.
Essas
festas 'regadas a suco de abacaxi e sem cinzeiros' são as
famosas verduradas. Isso mesmo, ao invés de um churrasco,
onde muita carne, cerveja e cigarro prevalecem, o pessoal se reúne
para uma verdurada. "São festivais independentes de
música hardcore onde as pessoas assistem às apresentações
das bandas, dançam e comem muita comida vegana!", explica
George Guimarães, nutricionista especializado em dietas vegetarianas
e proprietário do restaurante Vegethus,
que já foi, inclusive, palco para balada vegana.
Lembrando
que nem todo straight edge é vegan e vice-versa. "Veganismo
é uma característica da dieta, que pode ser acompanhada
de diferentes estilos de vida. Há veganos que são
devotos de Krishna, veganos ateus, veganos punks, veganos hippies,
veganos que bebem e fumam, veganos drug-free, veganos maníacos,
veganos simpáticos e até veganos que nem sabem que
são veganos", diz o nutricionista.
Para quem estiver interessado, entre os dias 23
e 24
de janeiro /05, véspera de feriado em São Paulo, vai
rolar 2 dias de verdurada no 12º
Festival Hardcore de São Paulo, com jantar vegetariano
grátis após os shows, e palestra do grupo Anti-Rodeio
de Campinas. E a organização do evento avisa: "Por
favor, sem cigarros e sem álcool".
Para entender melhor esse lance de straight edge e verduradas leia
as entrevistas na íntegra com Pedro
Carvalho e George Guimarães.
Confira também o bate papo com Kiwi,
que fala sobre o straight edge e baladas veganas com os olhos de
quem bebe, fumou e adora carne.
Perfil
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Pedro
Carvalho
"O Straight Edge é uma idéia, uma postura
de vida e uma maneira de vivenciar o punk".
Straight Edge: há 10
Idade: 26
Som: Negazione, Bad Brains e Otis Redding
Atividade: guitarrista da banda I Shot Cyrus
Vegetariano ou Vegan? Vegan relaxado
Kiwi
"Não sou muito fã dos princípios straight
edgers... Mas é que é muito chato receber lição
de moral porque você gosta de proteínas, como se isso
fosse um crime!"
Straight Edge? Não
Idade: 21
Som: Hardcore, punk, ska...
Atividade: estudante
Vegetariana ou Vegan? Nenhum dos dois
George
Guimarães
"Tanto o veganismo quanto o movimento Straight Edge são
opções que requerem um grau de conscientização
sobre o assunto e não podem ser sustentados por uma pessoa
por muito tempo como modismo"
Straight Edge: não
Idade: 30 anos
Som: Rock Progressivo
Atividade: Nutricionista especializado em dietas vegetarianas
Vegetariano ou Vegan? Vegano
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