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ENTREVISTA: PAULO CAMPOS
Por Sabrina Sandoval
!ObaOba - Quando você se interessou pela música? E quando surgiu a paixão pela percussão?
Desde criança eu já gostava de batucar com talher, régua. Com 15 e 16 anos eu tocava bateria, e já me apresentava. Ao 17 anos eu fui influênciado por um grande mestre e comecei a tocar percussão. Quando eu tinha 20 anos, tive a oportunidade de viajar para Cuba, e fiquei maravilhado com a percussão e com os rituais. Foi 1 mês pesquisando ritmos, sofri um fascínio por intrumentos de tambor. A percussão é muito mais do que ritmo, é folclore, também. É a cultura do dia-a-dia. Para cada acontecimento existe um ritual, que é acompanhado pelo som dos tambores. É uma cultura fascinante e de milênios.
!ObaOba - Como você união as batidas da música eletrônica com as batidas da percussão? De onde surgiu essa idéia?
Tudo começou quando o Edson Cordeiro decidiu renovar o estilo dele, e mudar toda a sua banda. Ele começou a trabalhar com música eletrônica e percussão. A banda era ele e mais três pessoas, um na guitarra, outro no teclado, e o terceiro na percussão, no caso, eu. Em 1998, inaugurou uma casa com o nome de Chaos. Por lá, rolava a mistura de ritmos, idéia em ascenção na Europa, naquela época. Foi lá que eu toquei com o Felipe Venâncio, com o Buga, que são caras que sabem tocar com o acompanhamento de uma percussão. Depois disso, o negócio foi só crescendo. Hoje em dia, eu toco em casamentos, tenho evento fechado até o final do ano.
!ObaOba - Sobre os casamentos, qual o perfil das pessoas que te procuram?
Não tem um perfil. Percussão e DJ em casamento está virando moda, é uma balada, é agitado, as pessoas gostam dessa performance interessante.
!ObaOba - Quais são as suas maiores influências musicais?
Eu sofri influência musical foclórica da África e de Cuba, foi isso que me forneceu conhecimento sobre o meu instrumento, me deu a oportunidade de conhecer novos sons. Eu também sofri influência jazzistica e clássica, que gerou em mim a capacidade para novos arranjos, além de repertório musical. Eu sou um estudioso de música, já passei de 8 a 10 horas por dia estudando percussão, criando novas metodologias. 98% dos percussionistas não lêem uma nota musical, mas eu leio.
!ObaOba - Você já rodou por diversos países e conheçou novas sonoridades. Onde você agregou mais conhecimento?
África, Cuba e Brasil. Também peguei muita coisa boa na Córeia. Lá eu conheci os instrumentos de metal, recebi uma nova influência, e inventei uma nova textura para o meu som.
!ObaOba - Antes de tocar com determinado DJ, você costuma fazer um estudo sobre ele, para saber quais são as suas influências e saber o que ele costuma tocar?
Não, até porque eu já conheço a maioria dos DJs com que me apresento. Também, prefiro os DJs que tocam house. É claro que eu sempre procuro pedir uma permissão, uma parceria com o DJ, porque ele é a figura da noite. Eu e o Venâncio temos uma ótima parceria, ele me conhece bem, sabe tocar com percussão, conhece música e novas texturas.
!ObaOba - O trabalho do percussionista é um trabalho de improvisação, certo?
Sim. O trabalho é todo baseado no improviso, são milésimos de segundo para você decidir a melhor batida. Todo o trabalho é inspirado no que o DJ está tocando. Mas, é claro que também existem trabalhos ensaiados.
!ObaOba - Alguma vez esse casamento entre música eletrônica e percussão não funcionou? Por que?
Comigo, pelo menos, não. Eu desenvolvi uma linguagem, uma metodologia, estudei muito, por isso sei fazer. Mas, tem pessoas que não tem a mesma base e acabam não executando bem o trabalho. Ás vezes, o problema nem está no percussionista, e sim no DJ, que não sabe mixar, ou que não consegue tocar com um acompanhamento. Mas, tem DJs que são ótimos, que deixam o percussionista solar.
!ObaOba - Em qual lugar você mais gostou de tocar?
Em clube, gostei do Chaos e do Absoluto. Grandes festivais teve o Rock in Rio e o Free Jazz, nos dois eu toquei com o Felipe Venâncio.
Site oficial: www.paulocampos.com
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