A Indústria do Prazer
Por Gabriel Rubinsteinn
Até poucos anos atrás, pornografia era sinônimo de pequenas revistas eróticas. Era praticamente o único item do mercado do sexo. Em meados da década de 90, essa indústria do estava engatinhando no Brasil. Hoje, ela movimenta quase um bilhão de reais por ano.
Filmes, remédios, lingeries, fantasias, objetos variados e, claro, as tradicionais revistas, são apenas alguns dos milhares de itens encontrados nos quase mil sex shops espalhados pelo País. Isso sem falar nas milhares de locadoras especializadas em filmes eróticos, farmácias, banca de jornal, e dezenas de outros estabelecimentos da indústria do prazer.
Os números mostram que o crescimento deste mercado no Brasil foi enorme. É uma área tão promissora que em pouco tempo muita coisa pode mudar. Para se ter uma idéia, a participação das mulheres neste mercado cresceu mais de 800% em menos de dez anos.
Para uma pessoa mais velha, ou alguém com uma visão mais conservadora, pode parecer estranho, mas é cada vez mais comum a busca pelo conhecimento de sua sexualidade, e é por isso que o número de mulheres interessadas em produtos relacionados ao sexo aumentou.
A Erótika Fair, uma feira que reúne expositores da indústria do sexo e acontece anualmente em São Paulo, sempre teve público predominantemente masculino. De uns anos pra cá, isso mudou: "Hoje o nosso público é 50% homens e 50% mulheres", diz Evaldo Shiroma, criador do evento.
"Além disso, hoje as mulheres são responsáveis por mais de 70% das compras realizadas em sex shop nacionais", completa Evaldo, que também é presidente da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico (ABEME).
Falar sobre sexo sempre foi um grande tabu da sociedade. Quando este tabu é quebrado, e as pessoas passam a abordar o assunto abertamente, cresce o interesse geral por técnicas e maneiras de melhorar a vida sexual.
"O tabu está sendo quebrado. Quando abri minha loja, em 1995, era difícil até anunciar em listas telefônicas. Hoje isso mudou e os produtos eróticos têm lugar garantido em todos os tipos de mídia", afirma Márcia Cunha, dona do sex shop Baton Rouge, em São Paulo.
Nos Estados Unidos, a indústria do sexo movimenta mais de US$10 bilhões por ano. Comparada a ela, a indústria brasileira parece pequena, mas não é. Muito pelo contrário.
Estima-se que essa área gere em torno de 200 mil empregos diretos e indiretos. Produtoras de filmes eróticos já têm fila de compradores antes mesmo do lançamento dos filmes. Atores e atrizes pornôs nunca tiveram reconhecimento no Brasil, ao contrário do que ocorre hoje em dia, quando nomes conhecidos do público nacional migram do teatro, TV ou cinema, para as produções eróticas, como é o caso de Alexandre Frota e Rita Cadillac.
Sexo chique
Como o interesse do público cresceu, aumentaram os cachês dos profissionais envolvidos, o número de produções, de compradores e de fornecedores. No Brasil, já existem até franquias especializadas em vídeos eróticos. A Tabu Erotic Vídeos é uma delas.
Roberto Maluf, criador da empresa, afirma que apesar dos locadores serem 70% do sexo masculino, o perfil do público vem mudando: "Durante a tarde, horário em que as crianças estão estudando e os maridos trabalhando, o número de mulheres nas lojas aumenta. Sem contar que quando criamos a Tabu, as mulheres não chegavam nem a 10% do total de clientes".
Outro ramo que ganhou força nos últimos anos foram as botiques eróticas, que nada mais são do que um sex shop mais discreto. Muitas delas estão localizadas em áreas nobres, dentro de grandes lojas e até mesmo de grandes grifes.
O público alvo dessas empresas são as mulheres de classes sociais mais altas, que se sentem inibidas para entrar num sex shop comum. No espaço multifuncional Clube Chocolate, por exemplo, foi criado o Clube das Meninas, onde homens não entram.
O público que freqüenta o local é formado por mulheres entre 20 e 55 anos e um dos principais atrativos da loja é a discrição: "quando sair daqui, ninguém vai saber se você comprou uma bolsa da Marni ou um vibrador de última geração", conta Xavier Neto, diretor da loja que tem em seu estoque produtos eróticos de marcas como D&G e Valentino.
Prazer lucrativo
Na conta da indústria pornográfica brasileira ainda é preciso colocar os inúmeros pontos de venda clandestinos que comercializam produtos eróticos. Eles não entram no cálculo oficial da movimentação financeira. Sem falar na indústria da prostituição, que apesar de ilegal, movimenta milhões de reais todos os anos.
Como vimos, a indústria do sexo no Brasil vem crescendo vertiginosamente. Trata-se de um mercado extremamente promissor, cuja lucratividade só tende a aumentar nos próximos anos. São diversos setores beneficiados. De locadoras a bancas de jornal. Do produtor ao consumidor final. A indústria do sexo garante lucro e prazer para milhares de pessoas, não é à toa que fatura a bagatela de quase 1 bilhão de reais anualmente.