Os reis do Carnaval
Por Andrea Giusti
O Carnaval do Rio de Janeiro é realmente um dos maiores espetáculos do planeta. Todos os anos milhões de turistas seguem para a "cidade maravilhosa" em busca de diversãol. Os quatro dias de folia são marcados por festas, desfiles, blocos, fantasias, música, praia, cerveja e muita azaração.
Ao contrário do que muitos pensam, o Carnaval carioca não se resume apenas a Sapucaí e as escolas de samba. Claro que de uma certa forma esses são os grandes atrativos da cidade, já que proporcionam o reconhecimento mundial desta celebração.
O agito começa com os ensaios semanais, tanto o dos blocos de rua, quanto os que acontecem nas quadras das escolas de samba. Eles arrastam centenas de pessoas para o clima de folia antecipadamente.
De acordo com os próprios cariocas, muitos preferem fugir da cidade devido à "confusão" e a invasão de turistas. A auditora carioca Néria Barral, de 27 anos, apesar de ter vontade desde criança, vai desfilar pela primeira vez na Sapucaí. "Sempre viajo, não fico aqui na cidade. Este ano, um amigo da minha amiga desistiu de desfilar e como eu nunca tinha ido, topei experimentar".
Néria entrou na Sapucaí em meio a milhares de pessoas, cantando o samba-enredo da União da Ilha. "Moro na Ilha do Governador e tenho um grande carinho por essa escola. Foi uma sensação maravilhosa ver tudo aquilo ali. É tudo muito grande, as pessoas até mandam beijo. É diferente do que se vê na TV, não dá para explicar", conta a auditora emocionada ao final do desfile, que fez diante de uma arquibancada completamente lotada.
Seja do grupo de acesso, ou do especial, os cariocas torcem de coração por suas agremiações. Vestem camisetas, faixas e chegam cedo para não perder o espetáculo. O Centro do Rio pára nos dias de desfile. A cidade se transforma com uma multidão de pessoas fantasiadas, procurando portões de acesso, ambulantes e diversos carros alegóricos.
Para o mundo, o Carnaval do Rio de Janeiro só acontece nos desfiles da Sapucaí, mas o que pouca gente imagina é a diversão nos blocos de rua, que invadem algumas praias cariocas.
Na avenida Vieira Souto, em Ipanema, o bairro se transformou em um mar de gente. Uns observavam tudo das janelas dos prédios. Mas, a grande multidão mesmo, seguia o bloco "Simpatia é Quase Amor" durante o seu trajeto com muita animação.
A música do trio elétrico já estava distante, mas a animação era a mesma. Gente de todas as idades se espremiam na orla da praia. A festa que teve início à tarde, parecia não ter hora para acabar.
"Eu achava que o Carnaval do Rio era só aquela coisa de Sambódromo, não sabia dos blocos. É super animado e eu achava que era só o que se vê na televisão...", conta a psicóloga Camila Pauli.
Há 15 dias na cidade, a gaúcha foi apenas procurar emprego e resolveu ficar para o Carnaval. Conheceu o bloco de Ipanema e ficou impressionada com a agitação dos foliões. "É bem livre, tu vai como quer. Tem gente fantasiada, de biquíni, é tudo bem improvisado e natural. Espero voltar um dia", relata.
"Monobloco" e "Suvaco de Cristo" também arrastam multidões e fizeram seus ensaios antes, durante e depois dos 4 dias de Carnaval. Uma festa semelhante aos tradicionais blocos de rua das cidades de interior.
Os quatro dias de folia se passaram, mas nada acabou. Os desfiles chegaram ao fim, mas o Carnaval não. Ao longo de toda semana tinha escola se apresentando em casas noturnas, com grandes filas do lado de fora. O Circo Voador foi invadido por centenas de turistas brasileiros e estrangeiros, que antes de deixar a cidade quiseram conferir os batuques da Mangueira, pela última vez.
Não foi difícil perceber que o Carnaval do Rio de Janeiro não é só Sapucaí. O brilho dos desfiles nunca vai acabar, mas cada vez mais divide suas atenções com os blocos de rua, ensaios e casas noturnas. O que importa é a comemoração...ano que vem tem mais!
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