Na terra da garoa
Por Alexandro Cruz
Na cidade de São Paulo, considerada a capital do trabalho e da insônia urbana, o Carnaval é um momento em que os paulistanos aproveitam para deixar a cidade e curtir o feriado longe do tumulto e do stress causado diariamente pela correria do trabalho.
Mas quem não viaja pode aproveitar algum baile de Carnaval em casas noturnas e clubes, ou então presenciar os desfiles das escolas de samba, que ocorrem no sambódromo do Anhembi.
E é lá no Sambódromo paulistano que acontece um dos mais importantes eventos anuais do planeta, com peças de paetês, trajes luminosos, maquiagens inusitadas e carros transformados em templos itinerantes, seguido pelos amantes da folia.
Em 2006, durante os desfiles das escolas do Grupo Especial, realizados na sexta e sábado, 24 e 25 de fevereiro, mais de 30 mil espectadores viram alegria, surpresa, emoção e muita diversão.
Dona Eliana Paria, de 68 anos de idade e com o 23º desfile pela Rosas de Ouro afirma: "não há cansaço, muito menos coração fraco, o meu negócio é desfilar e ser feliz".
Escolas como a Gaviões da Fiel - com uma imensa torcida -, Império da Casa Verde e Vai-Vai, que desfilou ao amanhecer, fizeram o público delirar e cantar os enredos, causando muita emoção para quem nunca tinha visto de perto uma festa como aquela.
Apesar da beleza dos desfiles, não dá para deixar de mencionar o problema com o som do Sambódromo, que estava abafado e atrapalhou bastante o desenvolvimento de muitas escolas. Diversas pessoas da arquibancada também reclamaram.
"Não dava para entender nada, nós só conseguimos saber qual era a letra da escola graças ao público que cantava. Se não fosse isso, ficaríamos 'boiando' com o desfile". Essas foram as palavras do bancário Rafael Lemos, que reclamava do áudio.
Na noite de sábado, com os problemas técnicos solucionados, o desfile iniciou-se com um público menor em relação à sexta-feira. Mesmo assim, as escolas passaram pela passarela do samba com estilo e chamando a atenção com seus carros e homenageados.
Na Tom Maior, por exemplo, o público empolgou-se com o forrozeiro Frank Aguiar, que veio em um grande carro, cercado com inúmeros cães, devido ao seu apelido: o cãozinho dos teclados.
Outra coisa que foi muito comentada aconteceu quando a Leandro de Itaquera. Com seu estilo de causar polêmicas nos desfiles, a agremiação trouxe como homenageados - mesmo contra a vontade dos próprios -, o prefeito José Serra e o governador Geraldo Alckimin, causando aplausos e vaias dos expectadores.
Na manhã de domingo senti uma leve tristeza, isso porque os desfiles do Grupo Especial estavam terminando. Mas o que deu para perceber foi a satisfação do público presente. Na verdade, o Carnaval paulistano está cada vez melhor e mais profissional.
"Nós seremos campeões, se não acontecer, pelo menos tenho a certeza de que deixei mais uma vez pessoas que assistiram ao desfile felizes. Afinal, o Carnaval é isso: folia". É o que ensina Dona Eliana Paria
Agora, é deixar na memória o que vimos neste ano e aguardar o desfile de 2007.
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