domingo, 07.09


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A ressureição literária

Por Martina Carli


Atualmente, a leitura tornou-se um hábito mais presente no cotidiano dos brasileiros. Isso graças ao estimulo das novidades constantes que chegam ao mercado editorial, e aos títulos ousados cada vez mais presentes nas prateleiras das livrarias.

A conexão entre o mundo das letras e a cultura é feita das mais diferentes maneiras. O cinema fez com que a trilogia O Senhor dos Anéis, por exemplo, voltasse ao topo da popularidade nas prateleiras das lojas. Assim como a TV e principalmente a Internet, que revelam cada vez mais figuras com histórias surpreendentes.

Prova disso é o grande número de vendas do livro de uma autora - ex-prostituta -, descoberta por meio de seu blog - um tipo de diário pessoal virtual. Bruna Surfistinha (esquerda), 21 anos, contou suas experiências reais, como profissional do sexo, em "O Doce Veneno do Escorpião". A obra biográfica liderou o ranking dos mais vendidos no país por várias semanas.

Além dela, outros escritores com pouca idade também falam sobre temas do seu universo íntimo. A patricinha Lolita Pille, no livro "Hell", o andrógino JT Leroy(centro) em "Coração Maldito", e a italiana Melissa Paranello (direita), no polêmico "Cem Escovadas Antes de Dormir", conquistam cada vez mais os leitores jovens com suas histórias.

Bruna SurfistinhaJT LeroyMelissa Paranello

Editoras especializadas lançam livros para todo tipo de público e faixas etárias; desde os místicos que gostam de Paulo Coelho e Zíbia Gasparetto, aos clássicos como Machado de Assis. Ou mesmo as obras introspectivas de Clarice Lispector e Carlos Drummond de Andrade.

Existem também as crônicas de Luiz Fernando Veríssimo e Nelson Rodrigues, os best-sellers de suspense de Dan Brown, os contos de terror de Stephen King e até publicações de famosos que se arriscam no mundo das letras, como a musa pop Madonna e a roqueira brasileira Syang.

Com tantas opções e um mercado editorial cada vez mais profissional editorial, não é de se espantar que a cada edição o número de leitores brasileiros aumente. Um exemplo disso foi a 19ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que reuniu 811 mil pessoas, durante os dias 9 e 19 de março, no Pavilhão de Exposições do Anhembi.

A cada dois anos esse evento é um ótimo programa para aqueles que querem se iniciar no universo da leitura. Também é uma ótima pedida para quem procura por exemplares raros, descontos e lançamentos de todos os tipos, temas e formatos.

19ª Bienal Internacional do Livro de São PauloOs visitantes que apareceram na Bienal puderam usufruir de mais de 400 horas de atividades culturais, entre palestras com autores famosos do Brasil e do mundo. Durante os dias de funcionamento, eventos variados e personagens ilustres agitaram a feira, que foi uma verdadeira maratona para os amantes da literatura.

Francisco Neto, um freqüentador assíduo, contou como se virou para aproveitar a Bienal ao máximo. "Como gosto de economizar bastante fui no último dia e aguardei até os 15 minutos finais, quando aconteceu a queima geral do estoque. Levei até comida na mochila. Aproveitei também os espaços de descanso dentro dos estandes e dei a famosa choradinha para conseguir um desconto maior".

Na visão de quem trabalhou durante o período, as atividades também foram bastante exaustivas. É o caso de Leonardo Egito, que participou durante alguns dias da feira: "O trabalho na Bienal foi muito cansativo, principalmente com os clientes jovens e crianças. Tinha horas que me via falando com mais de três pessoas ao mesmo tempo, mas mesmo assim foi divertido".

Alana AlvesEpisódios pouco convencionais também marcaram as histórias do projeto. "Quem pensa que a Bienal é freqüentada apenas por pessoas educadas e certinhas está enganado. Uma vez, quando eu estava esperando para ver o Jô Soares, assisti um acontecimento estranho: duas meninas discutiam por causa de um lugar na fila e rolou até soco no rosto", conta Alana Alves (foto), visitante da Bienal.




Ratos de biblioteca