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Ratos de biblioteca: jovens que curtem viajar pelos livros


Apesar de eventos democráticos como a Bienal e a vasta gama de opções nas prateleiras, muita gente atribui à vida acelerada contemporânea o principal empecilho para a leitura. No Brasil, estimativas apontam que, em média, uma pessoa lê três ou quatro livros por ano, enquanto nos Estados Unidos este número é de 8 a 9 obras a cada 365 dias.

Porém, contrariando esta máxima, existem jovens que trocam qualquer programa por uma boa história escrita. Este tipo de pessoa costuma ganhar a fama de "viciada em leitura" ou "rato de biblioteca". Eles se divertem vasculhando prateleiras em busca da próxima trama. Um dos sintomas mais típicos desta mania de ler é sentir que algo está faltando quando terminam as páginas de um livro.

Harry PotterFrank Miller

Não importa se as histórias são do Harry Potter ou os quadrinhos de Frank Miller. O importante é ter sempre muitas letras dentro da bolsa, em viagens, no metrô e no ônibus. "Geralmente dedico duas horas do meu dia para ler. Quando não consigo fazer isso já sinto muita falta, pois para mim é puro prazer", afirma Ana Trevisan, estudante de Sociologia.

Existem cinéfilos, amantes de futebol, viciados em música e também os dependentes da leitura, pessoas que se sentem incompletas sem um livro ao lado: "Tenho crises de abstinência quando não tenho nada para ler, e quando estou acabando um livro já começo a pensar no próximo. Gasto mensalmente dinheiro em sebos e já tenho uma pequena biblioteca particular" completa a universitária.

Osmair Camargo Cândido, que estuda Filosofia e trabalha como coveiro (!) é uma prova viva de que os livros podem colaborar muito na melhoria do vocabulário e do raciocínio: "Fui acostumado a ler desde criança. Isso fez com que me interessasse por Filosofia e entrasse na faculdade. Foi lendo que aprendi sozinho a falar francês, inglês e um pouco de alemão. Hoje dou aulas voluntárias de literatura no Capão Redondo, para dar esta mesma oportunidade aos outros".

Osmair Camargo CândidoO envolvimento de Osmair com obras de grandes pensadores também fez com que ele se tornasse um escritor. "Tenho uma grande compilação de contos e crônicas sobre o Cemitério Araçá, onde trabalho, e meu objetivo é lançar um livro em breve com estas histórias. Já recebi propostas, mas eram baixas, estou à espera de mais apoio".

Engana-se quem pensa que os livros excluem as baladas - os amantes das letras geralmente não dispensam uma boa festa noturna ou momentos com os amigos. Aquele estereótipo do "nerd", que gosta apenas de estudar, vem sendo abandonado há muito tempo. As obras escritas ganharam status de diversão para quem descobre o sem fim de experiências e a colaboração para a criatividade que os bons e indispensáveis livros podem trazer.

Provas não faltam de que a literatura é um dos meios mais abertos de lazer e cultura, sem depender de idade, profissão ou gosto. Todos têm a chance de compartilhar e interpretar à sua maneira páginas novas ou imortalizadas. E quem não está muito familiarizado com este mundo, pode se surpreender ao visitar uma biblioteca ou livraria ao observar que as possibilidades são inesgotáveis e muito prazerosas.

Introdução