Entre chuteiras e batons
Jogadoras X Preconceito
Do Brasil, para o mundo
A visão de quem trabalha pelo esporte
Bate-bola
Confira a comparação de como é jogar no Brasil e no exterior, através de um "bate-bola" entre as jogadoras Deva (esq.), volante do São Caetano e Raquel Bueno (dir.), defensora da equipe Sam Houston State University.

!ObaOba - Você acha que ainda existe preconceito quanto ao futebol feminino no Brasil?
Deva - "Sim, porque ainda há muitas pessoas que se espantam ao ouvir dizer que eu jogo futebol. Outras logo pensam que sou "gay" e começam a perguntar se existe isso mesmo entre as jogadoras. O preconceito existe, mas já diminuiu muito. São poucos lugares que você vê mulheres jogando na escola. Não estou dizendo que não há, e sim que tem poucas".
Raquel - "Para mim, ainda existe muito preconceito com o futebol feminino no Brasil, ninguém tem olhos para a instituição. Só querem saber do futebol masculino, que para eles, é o que dá mais dinheiro. Assim, esquecem do feminino e o deixam largado".
!ObaOba - O mercado internacional ainda é a melhor opção para quem quer se dedicar ao esporte?
Deva - "Sim, inclusive eu estava na Espanha, voltei ao Brasil no dia 11 de abril e espero retornar em breve. Lá fora o futebol é mais valorizado, existe liga e datas já feitas, antes mesmo de terminar a que está acontecendo. Eles valorizam mais a atleta e não tem tanta desigualdade como a que existe aqui".
Raquel - "A melhor opção para quem pensa em um futuro próspero no futebol feminino, é jogar na Europa ou no Estados Unidos. Aqui (EUA), seria ainda melhor pelo fato de oferecem o direito de você estudar e jogar ao mesmo tempo. Ao termino dos cursos, você pode jogar num time profissional. Infelizmente, por enquanto e acho que por muito tempo, o Brasil não tem muito futuro no futebol feminino. Temos ótimas jogadoras, uma ótima seleção principal, mas tudo sem incentivo, colaboração e investimento".
!ObaOba - O que mudou no futebol feminino no Brasil nos últimos tempos?
Deva - "Em 96/97/98 eu achava que o futebol feminino iria crescer bastante, pois tinha ajuda da federação, TV, alguns jornais e campeonatos como o Brasileiro e o Paulista. Além de patrocinadores e os clubes pagavam razoavelmente bem. Hoje não se ouve falar de competições, após as Olimpíadas da Grécia, na qual o futebol feminino trouxe uma medalha de prata. Não mudou nada. Só foram promessas e até agora o jeito é tentar a vida lá fora. Mas, se não tiver alguém para indicar, fica muito difícil".
Raquel - "O futebol no Brasil não mudou muita coisa, desde que ganhou a medalha de prata nas Olimpíadas (Grécia). Não adiantou nada. A única mudança foi a preparação da seleção, que agora com o novo técnico (Luiz Antônio), tem convocações todo mês para treinar. Mas sobre campeonato, nada mudou. Posso dizer que São Paulo é o melhor lugar para jogar, é um dos raros lugares onde tem campeonatos".
ObaOba! - O que dizer sobre o futebol feminino atual?
Deva - "Há muitas jogadoras que estão começando agora que se espelharam nesta medalha olímpica. Elas lutam para tentar um dia estar lá, mas para isso, falta estrutura para treinar e planejamento de competições".
Raquel - "Bom, espero que algum dia esse quadro possa mudar. Enquanto isso vou seguindo minha vida aqui (EUA), com a tranqüilidade de que terei sempre, com ajuda de custo (bolsa estudantil, alimento e moradia) e sem me preocupar se terei algum time para jogar ou não".