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Entre chuteiras e batons
Jogadoras X Preconceito
Bate Bola
A visão de quem trabalha pelo esporte


Do Brasil, para o mundo


Seleção Brasileira FemininaBem longe dos gramados brasileiros, a realidade é diferente para as praticantes do futebol feminino. Em nosso país não há muito investimento e principalmente incentivo. As mulheres que gostam e têm como objetivo de se tornarem atletas profissionais, muitas vezes trabalham em um outro emprego para sustentar o sonho.

Ou então buscam uma outra solução: tentar desenvolver a carreira no exterior. Isso porque nos outros países, principalmente na Europa e Estados Unidos, o avanço do futebol feminino está anos-luz em relação ao Brasil.

Como exemplo típico do êxodo de craques brasileiros, a jogadora Deva, que atualmente defende o São Caetano, embarcou no último dia 02 de fevereiro, para uma mini-temporada na Espanha, onde atuou pela equipe do Estudiante, na Liga Espanhola. Sua viagem rendeu alguns dólares no bolso.

"Lá fora o futebol é mais valorizado. Existe liga e datas já feitas antes mesmo de terminar a temporada que está acontecendo. Lá valorizam mais a atleta e não tem tanta desigualdade como existe aqui", conta a jogadora.

Assim como Deva, muitas jogadoras encontram no exterior a melhor opção para se firmar como profissionais.

Os Estados Unidos tem no futebol um esporte muito mais tradicional entre as mulheres do que entre o público masculino. Por lá, meninas de oito anos começam a vida esportiva com chuteiras nos pés. As universidades também dão total apoio, disponibizando bolsas de estudos às atletas.

De acordo com a técnica Márcia Oliveira, que trabalha nos Estados Unidos, o país dá às mulheres maiores condições de praticar o futebol.

Marcinha"A estrutura brasileira é desorganizada, pouco planejada, e muitas vezes não se dá continuidade e manutenção aos campeonatos. Nos EUA há um grande número de meninas adolescentes jogando futebol", argumenta a técnica.

A zagueira Marcinha (foto), de 24 anos, também aposta na carreira internacional. Já atuou em equipes como o Valinhos, Portuguesa, Grêmio Londrinense e São Caetano, e hoje é a mais nova contratada do time do Feather River College, em Quincy, na Califórnia. O valor do seu passe: uma bolsa de estudos da universidade.

Quando as coisas iam de vento em popa em terras brasileiras, um carimbo no passaporte mudou completamente a vida da lateral esquerda Raquel Bueno. Titular do São Caetano, a jovem jogadora ultrapassou fronteiras e foi levar todo o seu talento ao território americano. Com passagem pela seleção Brasileira sub-19 em 2004, no mundial da Tailândia, a lateral hoje tenta conciliar a vida de estudos com a maratona de treinos.

Integrante da equipe do Sam Houston State, no estado americano do Texas, desde 2005, Raquel (foto) está começando a se adaptar a sua nova rotina: estudar relações públicas pela manhã e à tarde dedicação total aos treinos da equipe, que são diários.

RaquelEssa rotina normalmente acontece durante as temporadas norte-americanas, que se estendem de agosto à dezembro. Nesse período, os treinos também vão até de madrugada, e as meninas muitas vezes levantam às 5h da manhã para fazer musculação e treinamentos com bola.

A brasileira tem sido a grande responsável pelas vitórias de sua equipe e está contente com o seu desempenho nos gramados. Ela já foi até capa do jornal da cidade, depois de uma vitória do Sam Houston State. Só que apesar das conquistas na terra do Tio Sam, a saudade de casa é um grande obstáculo a ser superado. Raquel diz que ainda está tentando se adaptar. Isso porque também há o problema do inglês, que não é o seu forte, como é o futebol.

"Tem horas que eu tenho vontade de fugir, de largar tudo", diz a jogadora que deve ficar por 4 anos nos Estados Unidos.