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Igualdade musical
Seguindo o famoso lema da cantora oitentista Cindy Lauper, que proclamava em seu maior hit "Girls Just Wanna Have Fun" ("Garotas Só Querem Se Divertir"), muitas músicas femininas também viram hits animados em pistas de dança e festas - embaladas por alternativos como The Hugh Grants, Lava e Santa Claus.
É comum que este repertório resulte na adaptação em outros meios. O Hats (foto), por exemplo, compôs a trilha sonora para o desfile da grife Colcci na última edição do Fashion Rio.
"Pelo fato de muitas meninas já subirem no palco desacreditadas (pois muitos homens esperam um trabalho inferior sem ao menos terem ouvido ao vivo), pensamos que é essencial mostrar uma atitude que conteste os padrões do rock por meio do bom-humor, conseqüentemente as composições saem de maneira divertida", diz Natalia Viana, vocalista da banda Schön.
Thania Daise, que já formou alguns grupos do tipo conta sua experiência: "É bom ter uma banda feminina. Por não ser tão comum quanto às outras, chamando bastante a atenção e isso acaba sendo uma espécie de trunfo. Mas existe preconceito, porque geralmente, a curiosidade é despertada a partir do seguinte pensamento: 'Quero ver se elas tocam alguma coisa mesmo'. Há uma subestimação do trabalho e também uma fantasia masculina de querer que as meninas toquem de mini-saia".
Mesmo enfrentando dificuldades, a igualdade vem sendo conquistada, e fica claro que já se foi o tempo em que as meninas ficavam na platéia babando enquanto os marmanjos tocavam.
Ambos os sexos dividem os palcos alternativos, e se engana quem acha que os shows das "riots" são restritos apenas para as mulheres - homens são bem vindos e ajudam a complementar essa atmosfera democrática no rock: "Antigamente, homens ficavam à frente do palco assistindo as apresentações, enquanto as meninas se espremiam por um espaço na pista. Hoje, bandas também compostas apenas por rapazes, como o Dead Fish, por exemplo, pregam que haja um respeito, entre os dois sexos misturados na bagunça dos shows", conta Thiago Coelho, baterista e fã de hardcore nacional.
Apesar dos estereótipos sexuais que são constantemente associados com a imagem das meninas rebeldes, esse grupo é composto tanto por homossexuais, quanto por heterossexuais: os preceitos feministas pregam o equilíbrio total entre os gêneros, não um "combate" aos homens - e sim ao machismo e conceitos ultrapassados que alguns insistem em reforçar por atitudes e julgamentos, mesmo que inconscientes.
Normalmente, as garotas lésbicas encontram um refúgio no rock, onde podem ser livres para expressarem suas idéias, sem enfrentarem grandes preconceitos. Assim, a organização feminina busca reforçar esta idéia de que todas as opções sexuais são respeitadas, e que não devem existir desfavorecidos por gênero no rock'n'roll.
Desta maneira fica cada vez mais claro que, desde os tempos de Rita Lee no comando dos Mutantes na década de 70, até hoje, as mulheres brasileiras continuam se arriscando no mundo roqueiro, revelando estilos criados em solo nacional, como o pancadão-punk do Bonde do Rolê, cantado por Marina Ribatski.
Sendo assim, não é de se espantar que a cada ano, críticos musicais e importantes jornais internacionais elogiem e chamem a atenção em seus países para as moças brasileiras e suas bandas - que não param de surgir.