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Riot Girls - feminilidade e atitude
Posturas diferentes marcam a performance dos conjuntos. Enquanto alguns se comportam de maneira despretensiosa, buscando apenas diversão, outros são engajados e fazem do rock um instrumento de divulgação dos preceitos feministas.
Esta é a tônica de um movimento que surgiu no início dos anos 90 e tem força até o hoje fico conhecida como a riot girls (garotas rebeladas): "Riot girls são feministas roqueiras que lutam contra o machismo e os padrões discriminatórios da sociedade", diz Maria Clara Capel, guitarrista e fã de bandas brazucas como a Bulimia.
Encabeçado nos Estados Unidos por Bratmobile e Bikini Kill, este último da vocalista Kathleen Hannah - ainda hoje um dos maiores ícones do meio - o ideal busca encorajar o suposto "sexo frágil" para que se arrisque no meio musical, tradicionalmente liderado pelos homens.
Em terras tupiniquins, As Mercenárias, considerado um dos principais nomes do punk-rock do início dos anos 80, voltou à ativa recentemente com duas de suas integrantes originais; a vocalista Rosália Munhoz e a baixista Sandra Coutinho, que conta: "Nos consideram uma banda pós-punk, e o fato de sermos mulheres abriu muitas portas, ao mesmo tempo que nos deparamos com preconceitos. Penso que fomos uma banda pioneira, e as propostas pela nossa reunião fizeram com que o grupo voltasse a tocar no ano passado."
Além delas, há dez anos, o Dominatrix comanda esta ideologia com CDs e LPs lançados, participação em diferentes festivais, além da organização de um evento próprio, o Ladyfest (foto), festival anual que já reúne, na versão nacional, o maior público do mundo: cerca de 2 mil pessoas. Nesta última edição, em março passado, aconteceram, em três dias de festa, debates, oficinas, doze shows e exibição de vídeos que discutiam e celebravam o comportamento e o gênero feminino.
"Eu estive no Ladyfest e foi um evento muito legal, é sempre bem organizado e o mais bacana são os enfoques dados a diversos assuntos ligados a mulher, e isso foi ilustrado através das palestras, das mostras e dos vídeos. E claro, com muita música boa também - as bandas desse ano estavam ótimas e houve uma mistura de estilos que há tempos não acontecia.", declara Mayra Gonçalves, apresentadora e produtora do programa de rádioweb da Rede Blitz "Banheiro de Meninas".
"No horário em que o Banheiro de Meninas é exibido, às 22h da quinta-feira, transitam pelo site de 700 a 1000 pessoas, e durante a semana, como ele fica disponível no nosso podcast, é ouvido por mais de 1500 pessoas em média, o que eu considero um ótimo número, já que o projeto é de rock de garotas e está apenas no seu segundo mês na Internet e mesmo assim, já sendo disputado por outros sites e rádios.", completa Mayra.
Atualmente existem mais de vinte zines - publicações sobre comportamento, música e cultura - direcionadas às meninas, há também a gravadora Dykon que lança seus discos em São Paulo e Curitiba: "A cena brasileira de rock de mulheres é muito mais produtiva do que aparenta ser. Muitas vezes as bandas começam e acabam por não terem seus esforços reconhecidos ou validados, por isso queremos estimular a divulgação", declara o selo que é comandado por garotas como Elisa Gargiulo, vocalista do Dominatrix.
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