sexta-feira, 29.08


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Espaços alternativos para novos estilistas

Por Tatiane Seoane

O lado B fashionista, longe das grandes passarelas e dos catálogos de moda

Para quem pensa que moda é só Fashion Week e vitrine de Shopping Center, está muito enganado! A moda, antes de lançar grandes estilistas e modelos para o mundo, nasce da cabeça de pessoas comuns, que ralam muito, até chegarem a posição de status. E, enquanto a marca não deslancha, é o circuito alternativo que abraça esses aspirantes, que têm a cabeça fervilhando de idéias.

E é a inspiração e a força de vontade que incentiva os muitos jovens talentos da área de moda a seguir firme com suas produções e criar o seu próprio negócio. Com insistência e determinação os “micro-empresários” passam os finais de semana em feiras de artesanato e moda para conseguirem ganhar dinheiro, fazendo o que realmente gostam.

Coleção  - Cheia de Graça
Coleção - Cheia de Graça
O lucro para Denise Campelo, 23 anos e dona da marca “Cheia de Graça”, não demorou muito, se levarmos em consideração as dificuldades deste mercado e sua concorrência. Depois do sucesso de vendas em sua primeira exposição, em uma feira em 2002 no bairro de Moema, zona sul de São Paulo, a estudante deslanchou. No início, suas peças se resumiam em saias com retalho de viscose; hoje, suas produções são conhecidas e procuradas por uma clientela fiel. Dois lugares servem como ponto de venda para Denise, a Praça Benedito Calixto, na zona oeste e no Center 3, na famosa avenida Paulista.

A marca “Cheia de Graça” possui entre seus diversos modelos, a sua peça “carro-chefe” que garante boas vendas desde seu lançamento em 2003 – a saia-vestido, que segundo a produtora de moda Rafaela Mendes, “fizeram a Denise”.

Colar - Vixi Maria
Colar - Vixi Maria
Porém, manter consumidores fiéis não é uma tarefa fácil para todos. A estudante de pós-graduação em Moda e Criação, Nina Camarotto, 25 anos, criou a marca “Nina Menina” para a sua linha de acessórios. Há cerca de um ano ela bate de “porta em porta" para tentar vender seus produtos. “E eu sou bem cara de pau, saio oferecendo em lojas e bazares”, relata.

“O mercado não é nada fácil, pode ser bastante desanimador às vezes”, explica Nina, que atua na área de Turismo, entre uma produção e outra.”Ainda não dá pra largar o emprego e viver só disso. Preciso juntar mais dinheiro”, conclui.

Mesmo conscientes das dificuldades em tentar uma vida profissional independe no mercado da moda, coragem é o que não falta para as estudantes de graduação em Moda, Sylvia Helena, 21 anos, e Camila Solai, 22 anos. As sócias chegam às 5h da manhã para montar sua barraca nas calçadas da rua Teodora Sampaio, próximas à disputada Praça da Benedito Calixto. A intenção é iniciar a vendas das pulseiras, colares e brincos que ambas produzem para a marca “Vixi Maria”.

“Estamos começando agora, mas acredito que iremos vender bastante”, relata Camila. Toda essa vontade é inspirada na colega de faculdade, Paula Alves, 22 anos, que desde fevereiro ocupa um lugar neste mercado a céu aberto e, garante, “vende, e para todo tipo de público”.

Sem o nome ainda definido de sua marca, Paula tem suas bijuterias inspiradas na atualidade da moda como as estampas de chita e pulseiras de madeira redonda. Paula lamenta apenas os “maridos e filhos apressados” que impendem as mulheres de comprar seus produtos. “Até gay compra comigo, e já sai usando”, diz a estudante.

Short - Li_Bella
Short - Li_Bella
Porém, quando a moda de quem cria, não faz o estilo da moda mais usada no momento, este se torna mais um obstáculo para estas novas estilistas e designers. É o que acontece com a jovem Aline Aiba, 20 anos, que desenha e costura todas as peças da sua marca, “Li_Bella”. Suas roupas chamam a atenção pela ousadia, como os micro-shorts de lacinhos (foto), corpetes coloridos e estampas de oncinha.

“O público que compra é mais alternativo”, relata Aline, que enfrenta a difícil aceitação do público e, mesmo assim não abre mão de produzir o que acredita ser a sua “cara”.

Saias estampadas, camisetas com polvos. Esse é o slogan da grife “Satii”, da estudante de Designer Thaís Satiko, 22 anos, que garante lucros principalmente com a sua linha de acessórios como broches, chaveiros, pingentes e mini-almofadas, com preços de R$ 5 a R$ 12.

Thaís e Aline dividem juntas um pequeno espaço na feira de artesanatos no piso térreo, durante todo o domingo, no shopping Center 3. Para a dupla, a maior dificuldade desta área é a carência de espaços para estes profissionais divulgarem seu trabalho. Enquanto não surgem novas feiras, as parceiras utilizam na Internet, comunidades no Orkut e páginas do Fotolog, como forma de marketing de suas grifes.

Ter a liberdade de expressar a sua identidade, imaginar, criar, ser aceito pelo público e ainda ganhar dinheiro com todo este prazeroso processo, é o que buscam estas profissionais no mercado da moda. Aproveitar o começo da vida profissional, que ainda tem toda vontade de enfrentar os preconceitos e as dificuldades, é a maior vantagem que os jovens criativos têm na busca pelo reconhecimento e sucesso.