Introdução
A história
Crenças e práticas
Entrevista
A experiente bruxa Mavesper Cy Ceridwen desvenda os mistérios deste mundo místico
Mavesper Cy Ceridwen (foto) é uma bruxa de 42 anos e com o registro civil de Márcia Bianchi. Há 13 anos, ela atua como sacerdotisa da Tradição Diânica do Brasil e trabalha como advogada e funcionária pública.
Nascida em São Paulo, ela mora há 14 anos em Brasília. É presidente da organização Abrawicca (Associação Brasileira de Arte e Filosofia da Religião Wicca), eleita para ocupar o cargo durante o período de 2004 a 2008.
Mavesper escreve colunas sobre a religião, faz palestras, dá cursos e realiza rituais públicos com seu coven, o Círculo de Prata. Ela também é autora do livro "Wicca Brasil - Guia de rituais para as Deusas Brasileiras", no qual elenca divindades dos povos indígenas brasileiros. Nesta entrevista, a bruxa conta sua trajetória no mundo místico e explica suas crenças:
!ObaOba - Quando a Wicca chegou ao Brasil?
Mavesper: É praticamente impossível responder a essa pergunta com precisão, uma vez que muitos praticantes são solitários e não divulgam suas práticas. A primeira praticante de Wicca de que tenho notícia no Brasil é a jornalista Ana Maria Bahiana, adepta desde o início da década de 70. Mas foi somente no início da década de 90, com a publicação em português dos primeiros livros sobre Wicca, que a religião começou a se espalhar pelo país.
!ObaOba - Como são as reuniões promovidas pela maioria dos covens?
Mavesper: É possível praticar Wicca sozinho e em grupos. Normalmente, os grupos se formam como círculos ou covens, com no máximo 13 pessoas que celebram apenas entre si. A Abrawicca promove rituais públicos, mas eles são apenas demonstrativos, para que pessoas que estão buscando aprender sobre Wicca possam avaliar se realmente são compatíveis com nossas idéias, não visando substituir a prática em pequenos grupos, que é o normal na nossa religião.
!ObaOba - No Brasil, vocês seguem os rituais de acordo com as estações do hemisfério Norte ou Sul?
Mavesper: Os esbats (rituais lunares) não se ligam a hemisfério. São os sabbats (rituais ligados ao ano solar) que levantam essa polêmica, sobre qual calendário seguir. Há motivos variados para celebrar pelas datas das estações do ano no hemisfério Sul ou Norte, bem como por uma mescla de ambas que se convencionou chamar Roda Mista (em que solsticios e equinócios são comemorados pelas datas do Sul e Grandes Sabbats permanecem nas datas originais do Norte).
Cada praticante é encorajado por nós a descobrir sua preferência, uma vez que cremos que os motivos para cada opção são todos igualmente válidos, tratando-se de escolha e interpretação pessoal de cada praticante.
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