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Já que o assunto em pauta é a juventude, como vocês acham que ela enxerga a UNE atualmente? Como que ela se torna importante na participação dos jovens e na política?

Lucia: O movimento estudantil, não a UNE, instituição que faz parte ou é a representação máxima do movimento estudantil, tende a ser ainda hoje a porta de entrada do jovem pra consciência política. Acho que o movimento estudantil é a escola da política para a juventude, tem sido assim em todo o mundo. Junto das centrais sindicais, do movimento Sem-Terra e do movimento negro, a UNE consegue falar pela juventude, por mais que tenha uma série de dificuldades de representação. Mas isso é muito mais pela diferença dos estudantes do que pela própria UNE.

Vina: Eu queria perguntar uma coisa. Não sei se isso está previsto no estatuto. Mas por que na UNE - União Nacional dos Estudantes - só universitário participa?

Lucia: O movimento estudantil é no mundo inteiro. Ele é dividido entre os secundaristas e os universitários, pelas características próprias que tem. No Brasil a UNE representa só os estudantes universitários e tem a UBES que representa o ensino médio e fundamental.

Vina: Devia ser UNEU então?

Lucia: Sim, mas o nome foi criado em 1937 e desde então a gente não mudou, mas a UNE representa só os universitários e é mais lembrada pelo fato dos universitários formarem mais opinião, do que os estudantes de ensino médio.

!ObaOba - Só perguntar para Julia, porque ela é a representada pela UNE teoricamente, muita gente fala que a UNE é fazedora de carteirinhas. Essa é visão que muitas pessoas, principalmente os que não estão dentro do movimento estudantil, têm da UNE. Queria saber o que você acha da UNE, como você analisa a atuação da instituição e o que ela poderia fazer pelos estudantes?

Julia: Pra ser muito sincera eu conheço a UNE por essa questão das carteirinhas. Eu não conheço o movimento estudantil mais a fundo.

Lucia: A UNE foi fundada em 1937, então ela tem quase 70 anos de história e já foi muito decisiva em vários períodos do país. Na segunda guerra, a UNE participou. Mais tarde, a UNE foi um dos movimentos mais incisivos de luta contra a ditadura militar no país. Em 89, com a eleição do Collor, a instituição já o criticava e em 1992 teve o impeachment. Então, tudo isso construiu a UNE como uma entidade representativa.

!ObaOba - Mas os estudantes de hoje conhecem essa história?

Lucia: De 90 pra cá aconteceu uma grande mudança estatística no perfil do estudante universitário brasileiro. Até o primeiro governo neoliberal no país, que foi o Fernando Collor, a maioria dos estudantes universitários estudava em universidades públicas. Quem está na universidade pública em geral pode fazer só aquilo, ele vive a universidade, ele não trabalha, ele é bolsista do professor dele, ele passa o dia dentro da universidade, ele come no restaurante universitário, ele mora em moradia universitária, então ele respira movimento estudantil. Na década de 90, houve aquele "boom" do surgimento de universidades privadas. As universidades privadas, hoje, representam 70% das matrículas no país.

Eduardo: Ela falou uma coisa muito importante, porque hoje em dia, a universidade não é a mesma universidade. Eu por exemplo faço universidade, mas eu não vivo um clima universitário como as outras pessoas que tinham nossa idade fizeram há muito tempo. Por quê? Porque eu vou pra faculdade, trabalho o dia inteiro, porque eu tenho que trabalhar. Ficou muito difícil você ter um tempo hábil pra se envolver em qualquer tipo de movimento estudantil. Eu não tenho tempo livre para me engajar.

Vina: Eu, que fui diretor do diretório acadêmico, sinto que há uma dificuldade de você cativar o estudante a participar da vida pública, não só na universidade, mas no país, na sociedade. Mas há um problema sim, eu não vejo, com todo respeito, a UNE se esforçar para o contrário. A instituição, pelo que eu sei, recebe repasse por conta do governo, tem isso?

Lucia: Então, é o seguinte, a UNE recebe o dinheiro da carteira estudantil. Repasse de governo e ministério a gente não tem. O que acontece são ações de emenda parlamentar. Elas garantem, não para UNE, mas para alguma proposta, como, por exemplo, Bienal Universitária, algum recurso. A questão é por que da mudança da UNE, por que os estudantes não se sentem representados por ela ou por que a mesma é só uma fabrica de carteiras. Eu acho que isso é muito mais conseqüência da mídia e da sociedade que a gente vive. A UNE todo ano faz uma grande briga pela redução das mensalidades. Medidas que impedem que as universidades particulares aumentem as mensalidades.

Vina: Eu fui preso em março colocando estudante na Anchieta e a UNE não estava lá...

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