!ObaOba - O que vocês esperam de um candidato hoje, no quesito importância para o país?
Eduardo: Eu acho que o maior investimento hoje deve ser na área educacional, pois isso é a principal base para qualquer projeto futuro. O sistema educacional pode solucionar o problema da pobreza, segurança, saúde e, por isso, é de suma importância e deve ser feito amanhã.
Vina: O que eu vejo é uma briga entre dois partidos que hoje se assemelham, na intenção da ruptura política. Eles agem de maneira imediatista, não se entendem e podem atrapalhar uma votação que é importante para a população. Então fica uma arrogância e deixa-se de lado o povo e os cuidados com a coisa pública.
!ObaOba - E quanto às propostas? Elas não acontecem ou estão infiltradas em críticas aos governos anteriores?
Vina: Até há propostas, mas o problema está na coalizão. Em países onde há coalizão, como no Chile, há divergências, porém, eles agem de acordo com o que é bom para a nação.
!ObaOba - Acha que pode acontecer com o PSOL o mesmo que aconteceu com o PT?
Vina: O PSOL não é formado apenas por ex-petistas. Tem gente até do PFL, direita e esquerda juntos.
!ObaOba - Vocês não acham que a grande quantidade de partidos acaba confundindo a cabeça do eleitor?
Lúcia: Confunde, mas eu acho que essas saídas como cláusula de barreira e outras que a reforma política está impondo não são saudáveis também. Porque assim, tira-se do cenário nacional outros partidos que têm mais ideologia ou mais base do que outros. Eu acho que a quantidade de votos é o único limitador que a reforma política encontra. Os partidos estão aí para representar determinados segmentos ou classes da sociedade.
!ObaOba - Mas não será este o problema? São para determinados segmentos só que cada um pensa diferente?
Eduardo: Isso acontece por conta da arrogância das pessoas que estão no poder, pois se houvesse a disputa junto ao respeito por causas que são indiscutíveis e acima dos interesses pessoais, não existiriam tantos partidos assim.
!ObaOba - Mas até que ponto os partidos são tão fracos do ponto de vista ideológico? A ponto de os candidatos terem mais força do que o próprio partido?
Vina: Isso é a nossa legislação eleitoral. Você não vota nas idéias, mas sim na pessoa. Se ela foi eleita no partido X, ela carrega o partido, o que está errado. O voto deveria ser a partir das idéias do partido. O que eu defenderia como reforma política é a divisão dos partidos. Comunismo e socialismo, por exemplo, ficariam na extrema-esquerda. Fascismo na extrema direita. O voto seria a partir dos blocos e dentro do bloco haveria uma outra disputa. O problema é que nós votamos em uma pessoa e isso favorece o personalismo.
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