!ObaOba - A Carta Capital, por exemplo, apoiou declaradamente o presidente Lula. O que vocês acham desses veículos de mídia que assumem uma posição política declarada?
Lucia: Eu acho que toda a mídia no Brasil, todos os veículos no país, tem uma posição política clara. Eu sou estudante de jornalismo e eu não acredito na imparcialidade do jornalismo. Eu defendo e acredito que todos os veículos deveriam abertamente defender suas posições. Porque a Carta Capital quando declara apoio ao Lula, ela é mais justa que a Folha de S. Paulo, que defende um partido e tem ideais, mas esconde isso. A população lê achando que aquilo é imparcial, que aquilo ali não tem posição. Só vai comprar a Carta Capital hoje quem concorda com aquilo.
Vina: Eles têm posição sim.
Eduardo: Quem lê sabe que tem.
Vina: Eu, como jornalista, leio o Estado, leio isso e leio aquilo, mas não gosto. O povão não lê o Estado, lê o Lance e o Diário de S.Paulo. As pessoas quem lêem esses veículos concordam com aquela política, com aquele pensamento.
Lúcia: Eu acho que os veículos deveriam seguir o modelo da França. Na França cada segmento da sociedade tem um jornal, quem é de esquerda compra um, quem é de direita vai lá e compra outro, escolhe na banca e paga pra ler o que quer ouvir, no Brasil é tudo disfarçado.
!ObaOba - Se tem que ser democrático, porque tem o horário obrigatório eleitoral? Você tem que desligar a TV se não quiser assistir?
Lucia: Mas eu acho justo, porque senão só quem tem dinheiro ia conseguir ter propaganda na TV. Porque o dinheiro ia poder comprar um intervalo na novela das 8 e quem não tem dinheiro não ia aparecer na mídia.
!ObaOba - Após esta conversa política, a opinião de vocês mantêm-se a mesma? Ou melhor, Eduardo, você que está com o intuíto de anular seu voto, como fica a sua visão?
Eduardo: Eu sou um cara que tenho a mente bastante aberta, mas não tenho conhecimento suficiente para vir aqui e defender uma posição. Eu acho que a posição do voto nulo deve ser espelhada no que os políticos mostraram para a gente. Eu queria acreditar que vai aparecer alguém que irá mudar a minha opinião, pois, até o momento eu não mudei não. Eu tenho as minhas opiniões e convicções, mas eu não vou fazer a bobagem de votar em um, para que outro não ganhe. Isto é um equívoco muito maior do que anular. Eu acho que anulando meu voto será um choque para a classe toda. Embora seja um desperdício, mas é um mal necessário atualmente, infelizmente, até que se prove o contrário.
Júlia: Eu não ia votar nulo, já tenho meu candidato. Respeito as pessoas que votam nulo, mas eu não faria isso.
Lúcia: Eu mudei sim, apesar de já ter as minhas convicções ideológicas, que é uma coisa mais profunda. Eu acredito numa ruptura socialista, numa revolução. Mas mudar o que a gente pensa no cotidiano e ouvir o que todos pensam, sempre acrescenta e é muito válido.
Eduardo: Posso falar uma coisa? Não é mudar de opinião. Ideologicamente as pessoas defendem as mesmas coisas. Nós lutamos pelas mesmas causas, falta somente afunilar as estratégias. Na verdade todo mundo quer um país melhor, o problema é acreditar nas boas intenções do político, mas não botar uma fé na viabilidade disso quanto governante.
Vina, você que concorre a um cargo político, acha que ouvindo essas informações, muda a sua estratégia e propostas de plano de governo?
Vina: Eu, como candidato, defendo algumas bandeiras como o movimento estudantil. Mas estou aberto a novos métodos. Quando somos eleitos, a gente tem que lutar para que as propostas sejam aprovadas. Nós temos um sistema no país no qual quem financia a campanha política quer o seu retorno. Não manda no país quem tem dinheiro, quem tem dinheiro é minoria. Na democracia, quem manda é a maioria. Então, tem que pegar essa maioria interessada em tal projeto e falar 'venha cá e aprove'. Todo mundo quer o bem do país, o Maluf disse que quer também, mas o método de se fazer isso é a diferença. Eu estou aqui para aprender, se alguém chegar e me dizer que esse não é o caminho eu vou mudar, pois não sou arrogante e dizer que estou certo.
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