A Babel da internet
De programas de TV antigos a raridades, flagras e celebridades instantâneas. O You Tube tem de tudo
Você deseja assistir a um clipe de seu cantor preferido? Tem lá. Os momentos mais importantes do último capítulo da novela? Procure que você acha. Além de tudo isso, no YouTube você encontra filmagens históricas, trechos de seriados ou filmes, vídeos independentes, erros de gravação, cenas caseiras e muito mais. E é bem capaz de você se encontrar nos arquivos do site sem saber.
A cada dia, um vídeo figura no topo do ranking dos mais vistos. A rotatividade de novidades é tão grande que garimpar as principais preciosidades é quase impossível. Essa agilidade fez do You Tube uma grande fonte de celebridades instantâneas.
Entre os recentes campeões de audiência estão o vídeo de um guitarrista coreano interpretando com perfeição um arranjo de Johann Pachelbel, chamado "Ca non", um viúvo inglês de quase 80 anos declarando seu amor pelo YouTube, paródias do filme "Serpentes a bordo" e alguns filmes protagonizados pelo ex-presidente norte-americano Bill Clinton.
No Brasil, a comédia é campeã de audiência. Vídeos como o da atriz Luana Piovani agredindo um paparazzo, Fernando Vanucci (foto) apresentando seu programa grogue, a atriz Fernanda Vasconcellos como modelo no programa do Gugu Liberato e a nutricionista Ruth "Sanduíche-iche" Lemos são alguns exemplos de arquivos que tomaram uma proporção muito maior com o site, chegando a incomodar seus protagonistas.
Há casos de fenômenos de acessos, como as postagens do Kibeloco. O publicitário Antonio Pedro Tabet (foto), criador do site, já contabiliza mais de seis milhões de visualizações de seus 39 vídeos postados no YouTube. Grande agitador da Internet brasileira, Tabet credita o sucesso de seus vídeos ao número de pessoas que visitam o Kibeloco (cerca de 100 mil acessos diários) e ao chamado marketing viral, que consiste na divulgação sucessiva numa rede de amigos.
"Ninguém quer ficar horas na frente do computador assistindo a um vídeo. Vídeos curtos, afinidade com publicidade, ambiente desconfortável (na maioria das vezes associado ao trabalho) e público jovem acabam sempre esbarrando no humor. É quase uma necessidade", conclui o publicitário.
Já o curta-metragem "Tapa na pantera" virou um símbolo da capacidade do You Tube de celebrizar desconhecidos. A atriz Maria Alice Vergueiro e sua personagem (foto), uma senhora viciada em maconha, se tornaram cult. O despretensioso filme, com um pouco mais de três minutos, dirigido pelos cineastas paulistanos Esmir Filho, Rafael Gomes e Mariana Bastos, foi acessado por mais de dois milhões de pessoas (somando-se todas as versões).
O mais curioso é que "Tapa na pantera" foi postado no site sem a autorização de seus criadores. Felizes com a repercussão, o trio de diretores considera o trabalho "um fenômeno espontâneo gerado pela Internet. O vídeo existia há mais de um ano e não havia sido lançado. Foi a Internet que o trouxe de volta e o fez alcançar marcas maiores que muitos longas brasileiros que entram em circuito nacional", comentou Esmir Filho.
A incrível visibilidade oferecida pelo site encorajou outras pessoas a divulgar seus trabalhos na rede. A atriz, cantora e garçonete Sara Marques (foto), que trabalha no restaurante Eclético, no Rio de Janeiro, acredita que o YouTube pode não ser uma resposta para as suas preces, mas é sempre uma imensa vitrine.
"Postaram um vídeo meu cantando durante o trabalho no restaurante. Apesar de não ser de uma qualidade boa, eu resolvi deixar. Em poucas semanas, mais de 300 pessoas já me viram cantar. Conheço gente que faz do site um currículo", revela Sara, de 23 anos.
O cineasta Bruno Vianna também apostou no alto potencial de divulgação do site e colocou nove trailers de seu filme, "Cafuné", à disposição do público. "O You Tube ainda é uma coisa independente, mas vai ser descoberto como um canal viável para exibição de trabalhos", acredita o cineasta carioca, que lançou seu longa simultaneamente no cinema e na Internet.
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