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Arte informal

Por: Bruna Stella


A cultura é divulgada com estilo e bom senso pelos jovens paulistanos


A informalidade das ruas e centros culturais atrai cada vez mais jovens, que optam por um estilo de vida alternativo e fora do eixo destas grandes áreas de exposições. São estudantes ou ex-assalariados que, em meio a diversas alternativas de ganhar status e, principalmente, dinheiro dentro desta cultura capitalista, preferem trabalhar com o que gostam e propagar a arte pelo simples prazer de ter o reconhecimento do público.

Esses jovens não se preocupam com conta bancária no final do mês ou dívidas do dia-a-dia. Pelo contrário, eles fazem das obrigações diárias um mero detalhe para viver.

Quem pensa que a vida destes artistas de rua é fácil, engana-se. Todo o trabalho produzido exige esforço e dedicação. Eles enfrentam diversos empecilhos, como chuva, pouco público, preconceito e falta de verba.

A inspiração e o apoio destes artistas independentes partem apenas deles mesmos, que correm atrás de seus objetivos e sonhos em uma luta diária.

Um grande exemplo de arte informal é a venda de livros nas ruas. É fácil encontrar autores em frente aos Centros Culturais, praças, feiras e cinemas. Eles estão atrás de um pouco de atenção dos possíveis leitores, mediante a clássica abordagem: "gosta de poesia?"

Esta alternativa de expressão cultural conquista cada vez mais adeptos, que querem vender seus livros e divulgar sua forma de pensar, longe das pressões de editoras ou chefes.

Segundo Leandro de Jesus, 25 anos, que utiliza o pseudônimo de Berimba, vender seu trabalho por conta própria vale mais a pena do que se filiar a uma editora. "É bem melhor ser independente. Se você produzir o livro por uma editora, ela vai levar para várias livrarias e, muitas vezes, a obra fica na prateleira pegando poeira. Além disso, as editoras repassam somente 10% da venda dos livros e isso não vale a pena, pois as pessoas mal entram na livraria e mal compram poesia...".

Ele sente prazer de conversar pessoalmente com seus leitores e afirma que o retorno, tanto financeiro como de reconhecimento, chega a ser superior a de uma edição meramente comercial. "Prefiro vender de mão em mão e estar cara a cara com o público. Acho que deste jeito já vendi mais de 1.500 cópia".

Berimba e o escritor Carlos Pontes, de 24 anos, conhecido como Caco, participam do coletivo Poesia Maloqueirista, que atua como selo de publicação dos seus livros "Feito a Mão", de Berimba, e a trilogia "Querer falar com falta de assunto" ou "Pessoas na contramão de caminho adulterados", de Caco.

O selo também reúne artistas de diversas vertentes, como artes plásticas, música, poesia, literatura e cinema. Também são produzidos outros projetos, como a revista bimestral Não Funciona, o Centro de Ação In-formal Cai Mal, o projeto Outras Margens, na biblioteca Alceu Amoroso Lima, e o mais novo Evento Interferência Modulada, que funde música com poesia falada.

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