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Anorexia

Distorções mentais e aversão total à comida matam muitos anoréxicos


Este distúrbio alimentar é mais prejudicial que a bulimia, já que consiste no medo ou total aversão aos alimentos, resultando normalmente em desnutrição, problemas cardíacos, mentais e até morte.

Ele é resultado da preocupação exagerada com o peso corporal, que pode provocar problemas psiquiátricos graves. Trata-se de um ciclo vicioso: quanto menos a pessoa come, mais gorda se enxerga e não importa se a balança indica o contrário. Com medo de ganhar peso, o anoréxico tenta se acostumar com a falta de alimentos, exagerando na atividade física e jejuando por um longo período - muito distante dos padrões saudáveis.

Mulheres jovens são as maiores vítimas, embora sua incidência esteja aumentando também em homens. Às vezes, os pacientes chegam rapidamente à caquexia, que se resume a um grau extremo de desnutrição, tendo um índice de mortalidade que chega a atingir de 15% a 20% dos casos, como aconteceu com Ana Carolina e Carla Cassalle. Queda de cabelo e ausência de menstruação também são comuns entre as jovens, por causa do mau funcionamento dos hormônios e da fraqueza dos órgãos.

Com 30 anos de idade, Anna Paula Fathin (nome fictício para preservar a fonte) conta seu caso: "Entrei em processo anoréxico em 1989, com 14 anos. Nessa época não havia nenhuma divulgação em relação à doença, então eu não sabia que tinha o problema. Radicalizei o regime e parei de comer, só bebia água e mascava chiclete diet. Um dia desmaiei na academia, após oito dias seguidos sem comer, e fui levada a um Pronto Socorro. Lá, após rejeitar o soro, a médica veio conversar comigo e me diagnosticou com anorexia nervosa e me deu um encaminhamento para o psiquiatra, mas recusei o tratamento. Para saber o que era anorexia naquela época, tive que ir a biblioteca para pesquisar. Enfim, não me tratei neste período e meu menor peso foi 46Kg para os meus 1,67m. O meu IMC era de 16,5 e me via enorme de gorda mesmo assim".

Diversos fatores favorecem o aparecimento da doença: predisposição genética, o conceito atual de moda que determina a magreza absoluta como símbolo de elegância e até a existência de alterações neuroquímicas cerebrais, relacionadas com a concentração de substâncias como serotonina e noradrenalina.

Muitas vezes os familiares do doente não conseguem perceber rapidamente este emagrecimento extremo, pois ele se esconde por baixo de roupas largas e soltas no corpo e se recusa a participar das refeições em casa, normalmente se isolando de atividades sociais.

Os problemas psiquiátricos relacionados com o quadro são comuns e consistem basicamente na distorção da realidade, quando o espelho, apesar de refletir um perfil esquálido, é o maior inimigo do anoréxico, que se vê sempre obeso e convive com uma grande culpa e frustração por nunca estar satisfeito com sua figura exterior.

Outro sintoma é a preocupação exagerada com o valor calórico dos alimentos. Essas pessoas chegam a ingerir apenas 200kcal por dia; quando um adulto normal deve consumir 2.000kcal diárias. Existem diversas comunidades no Orkut e sites nos quais anônimos trocam informações sobre como sobreviver comendo apenas folhas de alface ou pequenos pedaços de maçã por dia, pregando isso como um "estilo de vida", sem admitirem que, na verdade, sofrem de um sério problema de saúde. Eles se auto-definem como pró-anas e pró-mias (abreviações para anorexia e bulimia, respectivamente).

Para a recuperação, é necessária a re-introdução gradativa dos alimentos. Caso contrário, pode ocorrer uma grande sobrecarga cardíaca, e, às vezes, é necessária a internação hospitalar para que essa oferta gradual de calorias seja controlada por nutricionistas.

Não há medicação específica para o tratamento. Antidepressivos podem ajudar a atenuar sintomas compulsivos e de ansiedade. Em geral, a recuperação de pacientes anoréxicos exige o trabalho de uma equipe profissional multidisciplinar.

Síndrome do pânico e comportamentos obsessivos são outros traços comuns da personalidade destes pacientes, que não têm consciência da doença e normalmente não procuraram ajuda por espontânea vontade.

Convivendo há 17 anos com este mal, Anna Paula conta como se sente: "Só fui buscar tratamento há um ano porque me sentia torturada psicologicamente. A anorexia é muito sofrida, bem diferente do que é retratado na mídia. Não fui curada ainda e sei que o meu tratamento demorará anos, principalmente por eu estar a tanto tempo doente. Eu acho que o valor que a mídia dá às supermodelos pode influenciar as pessoas a cuidar mais da alimentação e fazer regimes, mas não acredito que uma menina que não tenha nenhuma tendência a desenvolver um transtorno alimentar possa ficar doente, porque a anorexia vai muito além disto. Está relacionada com a auto-rejeição e auto-punição. É complicado ficar em jejum por dias ou semanas só por causa da estética".

O problema ocorre principalmente no início da adolescência, dos 12 as 19 anos, mas pode se manifestar em qualquer outra idade. As estatísticas indicam que o mal é basicamente feminino: são 10 mulheres para 1 homem anoréxico. Entre os pacientes que buscam ajuda, 50% se recuperam completamente, 30% têm cura parcial e outros 20% não respondem ao tratamento ou morrem.

Introdução
Bulimia
Casos entre famosos
Entrevista com psicóloga