Bulimia
Compulsão por alimentos e culpa são os sintomas do problema
Em meados de setembro deste ano ocorreu o Simpósio de Tratamento dos Distúrbios da Conduta Alimentar, no X Congresso Brasileiro de Nutrologia, que revelou: em média, apenas 5% dos casos de bulimia acontecem em garotos.
As vítimas do problema hoje são mulheres jovens (em sua maioria com idade entre 15 e 20 anos) e é cada vez mais comum ver pré-adolescentes sendo tratadas para combater este distúrbio alimentar, que consiste basicamente no uso sistemático de vômito induzido ou laxantes para atingir ou manter a magreza.
O bulímico apresenta uma grande preocupação em relação à forma e ao peso, e costuma ser bastante afetado - mesmo que inconscientemente - pelos conceitos da moda e pelo padrão de beleza da sociedade moderna.
"A moda influencia muito neste tipo de problema, pois os canais de comunicação só mostram moças perfeitas e magérrimas, e colocam isso de tal maneira que nos levam acreditar que este estereótipo é sinônimo de felicidade", diz Aline Primazelli Daniel, que apenas reconheceu-se como bulímica quando já estava na metade do tratamento para se livrar do problema, quando pesava apenas 29kg (sua altura é 1,60m).
Um exemplo deste mal está sendo exibido em uma ficção da Rede Globo; a telenovela "Páginas da Vida". Na trama, Giselle, personagem da atriz Pérola Faria, é uma adolescente que convive com a bulimia desde criança, devido a grande pressão psicológica imposta pela mãe, que exige que ela seja magra para se tornar uma bailarina de sucesso.
"Esse é um dos distúrbios alimentares mais graves e causa sérias conseqüências nutricionais. Considero a iniciativa da novela importante, pois a bulimia, bem como a anorexia, são assuntos velados entre as mulheres", alerta o presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, o médico nutrólogo, Dr. Durval Ribas Filho (foto).
A atual ditadura estética prega que a beleza está diretamente relacionada com a total ausência de gordura, e os estilistas buscam meninas e mulheres cada vez mais jovens, altas e esguias para desfilar as coleções das mais famosas grifes do mundo. Referência para boa parte das adolescentes, essas modelos optam por todas as alternativas para se adequar ao padrão esquelético que as passarelas exigem e muitas vezes ficam doentes.
Por serem consideradas "maus exemplos" as manequins que seguem o estilo subnutrido vêm sendo mal vistas pela sociedade, e com as novas medidas de seleção adotadas na Europa e as mortes alarmantes do Brasil, é provável que elas voltem a se alimentar melhor para parecerem saudáveis, e assim conseguirem trabalhos diversificados neste concorrido ramo. Algumas das maiores agências brasileiras de modelos já instituíram exames médicos periódicos para avaliar a saúde de suas profissionais.
A parte mais difícil do tratamento contra a bulimia é aquela em que o paciente admite para si mesmo que há algo errado, já que hoje em dia é natural fazer dietas, ir à academia, evitar ao máximo as calorias, sem considerar que isso seja um tipo de paranóia.
Contudo, a diferença básica entre os obcecados por regimes e o bulímico é que este apresenta quadros regulares de compulsão por comida, quando, em um curto período de tempo (alguns minutos ou horas), ingere grandes quantidades de alimentos gordurosos ou açucarados. A segunda etapa deste ciclo doentio é uma grande culpa e muito medo de engordar, sendo seguido por tentativas de "purificação", por meio de vômitos ou uso de laxantes e diuréticos.
As principais conseqüências geradas pela bulimia são a perda de muitos nutrientes, sobretudo do potássio, desidratação, anemia e a depressão causada pelo sofrimento psicológico. Sua cura depende essencialmente de duas modalidades de terapia; a psicoterapia e o tratamento medicamentoso.
"Inicialmente eu me tratava com nutricionista e pediatria pelo convênio médico. Meu pai chegou até a vender uma casa no litoral e o carro da família para que eu seguisse na recuperação. Quando eu já havia adquirido alguns quilos, eu o convenci a parar com a medicação, mas, alguns meses depois, voltei a ficar doente e apresentei um quadro pior que o primeiro. Com muito custo, meus familiares conseguiram para mim uma vaga no Hospital São Paulo, onde fiquei internada contra minha vontade, por acreditar que estava saudável. Hoje estou curada, peso 52kg. Mas é inevitável, às vezes, ter algumas recaídas, que são passageiras e duram cerca de dois dias", completa a paulistana Aline.
A psicoterapia, realizada por um terapeuta com experiência em distúrbios alimentares, mostra-se, geralmente, muito eficaz para este grave quadro. Os medicamentos antidepressivos, freqüentemente, também podem ser úteis no controle. Durante o tratamento, uma dieta balanceada é fundamental para a reeducação alimentar do paciente.
Introdução
Anorexia
Casos entre famosos
Entrevista com psicóloga