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Fanático pelo mundo da sétima arte

Augusto AmaroEnquanto na cabeceira da cama o livro "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, é devorado, na prateleira de DVDs, filmes que tem o caráter de contestação de valores, como do diretor espanhol Almodóvar, se misturam com filmes de Baz Lurman e Quentin Tarantino.

"Eu gosto de ver na tela alguém rico de personalidade. Um personagem com tiques, sotaques, com uma história, um bom figurino e cenário. Acho que esses três elementos bem pensados e construídos fazem um ótimo filme", declara o estudante de Rádio e Televisão, Augusto Amaro (foto), de 18 anos, com pinta de quem já entende bastante do assunto. E por que não?

Enquanto muita gente passa horas na fila das inúmeras cadeias de cinemas populares espalhadas pela cidade, o jovem estudante está sempre à procura de filmes que acabam ficando fora do circuito cultural. "Eu gosto de ir ao Itaú Cultural, o Centro Cultural Banco do Brasil (foto) ou até em feiras mesmo, para ver esses artistas que são muito bons e só conseguem espaço em lugares alternativos", completa.

Centro Cultural Banco do BrasilCoisa rara hoje em dia, tanto por sua pouca idade quanto pelo bombardeio de cultura pop mundial que chega ao país quase que na mesma velocidade da luz. Com discos como da cantora Madonna, incipientes aprendizes a cineastas e filmes com os previsíveis "happy end", está cada vez mais difícil se imunizar aos modismos e esta popularização desenfreada, divulgada pelos grandes meios de comunicação.

Nos anos 70, quando Augusto ainda nem havia nascido, a efervescência cultural da capital paulista moldava as arestas para a criação de um gênero do cinema brasileiro, denominado de pornochanchada.

No período da ditadura militar, a produção da chamada "Boca do Lixo" (como era caracterizado o bairro central da cidade paulista, onde se proliferou a prostituição e a vida noturna), atraía inúmeras pessoas às salas de cinema, principalmente por levar para as telas muitas cenas de erotismo, misturadas aos elementos da conhecida chanchada (humor ingênuo, burlesco, de caráter popular), surgida nos estúdios da Atlântica, entre os anos 60 e 70.

Passados alguns anos desde a ascensão e decadência do gênero no mundo da sétima arte, muita gente que não viveu o período e não bebeu da fonte do movimento talvez olhe torto ou com cara de interrogação quando ouve falar sobre o assunto. Já Augusto parece ter convivido anos a fio com as principais estrelas e diretores da pornochanchada.

Zé RamalhoComo ele mesmo diz, os filmes produzidos naquela época são sensacionais: "Eu adoro qualquer filme de pornochanchada, eu não sei como pararam de fazer". E quando o assunto é cinema brasileiro, a lista de produções da nova safra também chama a sua atenção. "Eu gosto muito de Amarelo Manga, Cabra Cega e Nina".

Na hora de escolher um programa de fim de semana ou colocar um disco pra tocar no som, o refinamento também continua exacerbado. São CDs de gente como Nação Zumbi, Mundo Livre, Céu e Mombojó, além dos barões da velha-guarda como Chico Buarque, Jorge Ben Jor, Ney Matogrosso e Zé Ramalho (foto).

"Para sair, eu gosto de ir em algum lugar para dançar, ou que tenha movimento. Mas não gosto de lugares apertados, com gente da moda e onde não dê para conversar. Então, ultimamente eu tenho ido no Sarajevo".

Ao contrário de muita gente que teve influências em casa, Augusto optou por andar na contramão das idéias dos seus pais. "Todo mundo na minha casa têm idéias conservadoras e eu bato muito de frente com eles. Acho que é algo que sempre teve dentro de mim, uma coisa crítica e questionadora".

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