Entre cultos, desenhos e brincos
Igreja norte-americana reúne pessoas cansadas do preconceito
Ao contrário do que parece, para ser um membro da CoBM não é preciso ter modificações corporais. A idéia da organização é, na verdade, oferecer espaços para integração dos adeptos e simpatizantes destas práticas, para que elas sejam cada vez menos discriminadas.
Com sete anos de existência, ainda não foi estabelecida uma doutrina específica. Sendo assim, os pastores declaram que a religião praticamente não tem regras: é aconfessional, eles não discriminam pessoas de nenhuma outra fé, mas advertem que algumas de suas práticas podem ser contrárias a determinadas crenças - o judaísmo, por exemplo, que não admite a profanação do corpo com tatuagens.
Segundo os idealizadores, a espiritualidade está em todos nós, sendo que alguns sentem a necessidade de expressá-la com a exteriorização da arte corporal, como forma de manifestação divina. Durante os cultos, ocorrem suspensões (quando se é levantado com correntes por meio de ganchos colocados dentro da pele), caminhadas sobre a brasa e colocação de piercings com o objetivo de testar os limites da carne e da alma.
A brasileira Fernanda Piercer, que trabalha com a aplicação de piercings, tem tatuagens, surfaces, também pretende fazer escarificações e se suspender em breve para encontrar o prazer. Ela acredita que estas manifestações são positivas e explica sua opinião sobre a CoBM: "Penso que muita gente que se modifica usa um certo ritual e leva isso como um modo de vida e religião. Então, porque não uma igreja de modificação? Se uma pessoa modificada entra numa igreja de qualquer religião ela é olhada como um ser de outro mundo, e todos a julgam mal! Tendo um espaço só para eles, é um meio para se sentirem bem e não abandonarem o lado religioso. Adoraria participar dela!".
Mesmo sendo legalmente reconhecida pelo governo dos EUA, a congregação, hoje presidida por Rick Frueh, tem enfrentado acusações de crimes, quase todos de âmbito econômico. Alguns internautas, que aproveitam o anonimato propiciado pela rede, denunciaram a falta de transparência que ela tem com as doações de seus membros.
Recentemente houve uma campanha de arrecadação de fundos com a venda de camisetas para apoiar legalmente seus seguidores, mas até o momento o destino do dinheiro não foi esclarecido. O presidente da seita não quis fazer declarações e se remeteu a um comunicado publicado na Internet que declara: "a CoBM continua conquistando fiéis cansados de ser excluídos ou ignorados pela sociedade, devido a sua decisão de modificar seu corpo".
Esta não é a primeira vez que eles têm de se explicar frente à sociedade. Em 2002, surgiu uma polêmica que até hoje os persegue. Dois de seus ministros, Alva Richcreek e Steve Truitt foram detidos sob a acusação de praticarem medicina ilegal. A acusação ocorreu após eles terem realizado uma operação de modificação genital sem a devida autorização. Cirurgias plásticas e até amputações planejadas também são consideradas formas de arte pelos ministros.
Segundo os últimos dados da Academia Americana de Dermatologia, quase 50% dos norte-americanos "decoraram" o corpo com uma técnica branda ou pesada, como as citadas acima. Isso explica como estes pastores têm um grande rebanho, para transmitir o seu tipo de fé.
Introdução
Tipos de modificação
Entrevista com um adpeto