Suspensão, branding, escarificação...
Experimentações com a pele testam os limites da dor
As artes corporais se popularizaram de uma forma assustadora. Mas, por outro lado, o avanço tecnológico permitiu a criação da remoção a laser. Caso surja o arrependimento após fazer uma tatuagem, esta pode ser parcialmente ou mesmo totalmente removida. O mesmo acontece com os piercings: assim que o usuário enjoa deles pode retirá-los, sem deixar vestígios em seu corpo (apenas minúsculas marcas de furos, dependendo do local).
Tomando o caminho contrário desse caráter de modismo superficial e passageiro, muitos jovens procuram o outro lado das modificações corporais - aquele que traz mudanças radicais e que não podem ser revertidas. Afiar os dentes, bifurcar a língua (cortá-la ao meio gerando duas pontas), colocar implantes de metal por baixo da pele e dilatar o lóbulo da orelha são algumas dessas tendências.
As técnicas sofisticaram-se e, com isso, outros tipos de apetrechos surgiram: alargador, megabell, nostril, punch, entre outros, que servem para diferentes tipos de furos. Considerada, por alguns, uma forma de arte, a body modification, além de ser uma fuga do padrão de beleza, cria uma identidade no seu adepto que busca a experimentação do incomum.
Mas as experiências não se resumem a isto. Uma técnica cada vez mais procurada pelos jovens vem conquistando aqueles que desafiam a superação de limites; a suspensão.
A prática que consiste em elevar o próprio corpo, horizontal ou verticalmente, por meio de ganchos de ferro perfurados na pele é milenar, ela surgiu em tribos indígenas norte-americanas. Para eles, os homens deveriam ser suspensos para oferecerem a sua dor e sangue à mãe Terra.
O segredo desta técnica está no equilíbrio, ou seja, a pessoa deve ficar igualmente balanceada, para que não haja rompimento dos tecidos celulares. Primeiro, por causa do medo, o corpo libera muita adrenalina, e depois de suspenso o mesmo produz uma quantidade grande de endorfina, que gera uma sensação de prazer, causando repentinos desmaios, mas não de dor e sofrimento, apenas de sentinementos satisfatórios que acontece durante a suspensão.
Hoje, esta é uma atividade praticada em diversas capitais do país. São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Curitiba e Belo Horizonte vêm merecendo destaques, por causa da grande quantidade de sessões realizadas.
Tão doloroso quanto a suspensão, o branding é uma prática que consiste em queimar a pele com ferro e maçarico. A técnica é a mesma utilizada para marcar animais de fazendas, como bois e cavalos. Já a escarificação, também conhecida como "a arte do quelóide", é produzida a partir da realização de cortes profundos na pele, em forma de desenhos, gerando cicatrizes em alto relevo.
Outros nomes estranhos como pocketing, surface e vacuum pumping também fazem parte do vocabulário dos moderninhos fãs da dor. O primeiro é um piercing que fica dentro da pele, deixando apenas uma haste de metal para fora, dando um aspecto de "grampeado". O segundo caracteriza os brincos colocados em espaços com pouca pele, onde os ossos ficam mais evidentes, como mão, pescoço, peito, pulso, dedo, pé e até na testa. O último acontece a partir de bombas de vácuo que aumentam determinadas partes, especialmente os mamilos, por meio de uso constante deste mecanismo.
Introdução
A Igreja da Modificação
Entrevista com um adpeto