Dependência química: Como sair dessa?
Por: Bruna Stella
A dependência química tem recuperação, mas requer esforços do usuário e ajuda da família
É fato que as drogas atingem em disparada ao público jovem. Eles são uma espécie de ímã de entorpecentes. Isso porque a adolescência é uma fase de transição e um período crítico da vida para a auto-afirmação. É nesse período que o jovem desenvolve sua personalidade e começa a criar iniciativas para tomar decisões. Assim, as drogas aparecem como uma válvula de escape de como lidar com situações problemáticas.
Hoje em dia, beber alguns copos de cerveja para aliviar uma longa jornada de trabalho ou de estudos e fumar um "beck" são situações corriqueiras na vida de um jovem. Ir a festas e usar alguns tipos de drogas de forma esporádica e depois não ter nenhuma crise de abstinência também.
Porém, há muitos que fogem deste tipo de rotina. Beber, fumar ou usar qualquer tipo de substância com poder viciante - sejam elas lícitas ou ilícitas - definitivamente não faz parte do cotidiano desta parcela de jovens.
Depois de terem passado por experiências marcantes com o uso contínuo de drogas, hoje eles vivem em busca de um novo sentido para a vida, seja voltando a estudar, a trabalhar, ou mesmo tentando recuperar a confiança dos pais, perdida depois de meses ou anos de internações, "pulando" de clínica em clínica para conseguir se livrar do vício.
Muita gente pensa que as drogas sejam um assunto bem esclarecido e conversado entre a família. Mas não é o que afirma o psicólogo Marcelo Álvares. Segundo ele, este é um dos desafios mais comuns encontrados pelo jovem que busca apoio nos pais ou em quem está ao seu redor para assumir que está usando drogas. "A falta de informações sobre álcool e drogas é um problema em todas as esferas da sociedade; ou seja, na escola, trabalho e hospitais.".
O barato também não é igual para todo mundo. Dr. Marcelo afirma que "a dependência química depende de questões genéticas, ambientais e comportamentais, que aumentam as chances de uma pessoa tornar-se dependente química". Ou seja, são muitos fatores que influenciam o ingresso de uma pessoa no mundo das drogas.
Outro mito muito comum é o de que há um maior consumo das classes baixas. Para ir contra esta lenda urbana, um estudo desenvolvido na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) publicado na edição de abril do ano passado, na Revista de Saúde Pública, mostra que o consumo de álcool entre alunos de famílias ricas atingiu 92,2% e de drogas ilícitas 39,2%. Por outro lado, estudantes vindos de famílias com renda mensal menor que 10 salários mínimos têm uma média de consumo de 75,2% de álcool e 16,7% de drogas ilícitas.
A mesma pesquisa afirma ainda que o fato de usar ou não drogas também pode estar intimamente ligado aos hábitos religiosos destes adolescentes. Ateus ou não freqüentadores assíduos de instituições religiosas representam 89,3% do consumo de álcool, 27,7% de tabaco e 37,7% de drogas ilícitas. Já os alunos que se declararam adeptos de alguma religião, os resultados foram respectivamente de 83,1%, 20,7% e 24,6%.
Para tirar algumas dúvidas e desvendar alguns mitos que ainda existem tanto na área científica como na prática, reunimos abaixo algumas informações sobre as drogas mais conhecidas pelos jovens, além de duas entrevistas. Uma com Marcelo Álvares e outra com Victor, de 22 anos, que - após três internações - está há sete meses longe das drogas.
Introdução
Casos entre famosos
Entrevista: Psicólogo Marcelo Alvares
Entrevista: Dependente químico em tratamento