A influência da família na gravidez
As adolescentes buscam em parceiros o carinho e atenção que família não dá
Atualmente, com a conscientização do uso de contraceptivos, a ingenuidade das adolescentes é uma das principais causas da gravidez. Mesmo conscientes do risco, depositam toda a confiança nos parceiros. Esse é o caso de Carla (nome fictício).
A moradora da Casa da Menina Mãe I tem 17 anos e uma filha de seis meses. Ela conheceu um advogado de 43 anos em um barzinho na Praça da Árvore. Carla* encontrou nele o carinho que não tinha em sua casa e foi morar com o homem. Apaixonada, engravidou, mas o advogado afirmou que o filho não era dele e a expulsou de casa. "Fui enganada por um homem que dizia gostar de mim", diz ela. "A criança é parecidíssima com ele e agora estou aqui no abrigo esperando decisão do juiz."
As internas se mostram muito bravas no primeiro contato, olham torto e fazem cara feia. Desconfiadas, algumas se escondem. Elas conversam como se estivessem sendo forçadas e contam muitas histórias chocantes propositalmente. Como quando foram presas vendendo drogas e como é cruel a vida na rua. Tudo isso com muita naturalidade, atentas à reação do ouvinte. No entanto, com a visita constante, elas tiram a máscara e se mostram adolescentes normais. A falta de carinho e abandono da família fazem tanta falta na vida delas que em pouco tempo criam um laço afetivo muito forte com qualquer pessoa que lhes dê atenção. Elas contam suas histórias com o maior prazer, pedem para carregar seus filhos, mostram fotos e roupas ganhas.
A assistente social conta que a falta da família cria um forte laço com a criança. Mesmo que o filho não fosse desejado, ele acaba sendo a coisa mais importante em suas vidas. Um exemplo é o caso de July (nome fictício), 17. "Conheci o pai da minha família e engravidei, mas eu não aceitava. Tomei de tudo para abortar minha filha, mas não consegui. Quando minha mãe descobriu, me botou na rua. Fui morar na casa de uma amiga. Fiquei trabalhando lá, depois voltei para a casa da minha mãe", conta a menina, que chegou a estudar em colégio interno. "Minha mãe jogava tudo na minha cara. Falava que não ia aceitar a minha filha e eu só chorava, tentando me matar. Tinha dias que eu dormia no quintal da casa porque minha mãe não queria abrir a porta para mim." Ela procurou ajuda, foi parar na Casa da Menina Mãe I e desabafa: "hoje, quando vejo o rostinho da minha filha sorrindo para mim, me arrependo de ter tomado várias coisas para abortá-la. Estou muito feliz e grata a Deus por ter me dado uma filha linda e com muita saúde. Não guardo mágoas da minha mãe, a amo como minha filha".
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Aborto