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Martin Parr conta o que é fotografar com humor

Inglês ministra palestra na inauguração do SP Photo Fest; confira como foi

Por: Carolina Mendonça

Wednesday, 13 May, 2009 - 17h21

 

Créditos: Carolina Mendonça

"Os problemas me entusiasmam. Eu preciso deles pra trabalhar". Parece conversa de maluco... Mas não é, não. É apenas um inglês bem-humorado. O fotógrafo Martin Parr, da agência Magnum Photos, já publicou mais de mais de 50 livros, teve seu trabalho exibido em 80 exposições individuais e foi premiado incontáveis vezes. O que faz dele tão bom? "Este senso de ironia que está no meu trabalho", ele definiu na palestra que ministrou nesta terça-feira (21/05) no MIS (Museu da Imagem e do Som), inaugurando o SP Photo Fest.

Por "senso de ironia", leia-se "crítica social com humor" - ou vice-versa; há controvérsias. Para falar de consumismo, por exemplo, o homem fotografa um bebê dentro de um carrinho sendo quase esmagado pelas compras. Se o tema é moda, a passarela passa longe; o negócio dele é retratar gente comum, fazer com que a moda não tenha cara de moda. É criança, velho, pobre, rico, gordo, magro. Seus conterrâneos são seu alvos prediletos. Do céu nublado às pernas brancas com meia até a canela, Parr já fez de tudo. E quando se deu conta de que priorizava muito ricos e muito pobres, tratou de lançar um livro dedicado exclusivamente à classe média.

Mas se o bom humor deste britânico que se define como "testemunha do mundo" - alguém que flagra situações do nosso tempo com um olhar diferente - já lhe cobriu de prêmios, também rendeu críticas ferozes. Por exemplo, Henri Cartier-Bresson, um dos maiores gênios da fotografia no Século XX, disse que seu trabalho não documentava, mas gozava de seus personagens. Parr se defende, diz que seu trabalho é tão importante quanto as fotos de guerras ou de fatos históricos importantes. Só tem outro ponto de vista. E também dá sua alfinetada no velho Bresson: "A realidade é muito engraçada. A fotografia muito séria não atrai muito as pessoas". Mas admite: "Acho que sou um pouco ousado, né?".

Se sim, se não, não nos cabe dizer. Deixe esta tarefa para os próprios personagens. A eles, Parr faz uma mea culpa básica: "Eu sou um explorador. Muitos fotógrafos vão dizer que não, mas tem sim (exploração)". Isso ele admite, mas não deixa de se advogar também, é claro: "O mundo seria muito triste se fotógrafos não pudessem fotografar em locais públicos". Aí, ele tem razão. Para confirmar a razão dele, nada melhor do que conferir as fotos no site de Martin Parr.

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