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Raul Seixas esteve na Virada Cultural

Palco montado em homenagem ao roqueiro baiano teve momentos de rara nostalgia

Por: Rudolf Ritter

Monday, 04 May, 2009 - 09h20

 

Créditos: André Cherri

A aglomeração de gente só crescia. Eram 18h e o lugar já estava cheio de fãs, desde jovens a senhores de idade, muitos fantasiados de Raul Seixas. Esse era o clima do palco "Toca Raul!", na Virada Cultural, que abrigou uma maratona de homenagens ao eterno Maluco Beleza.

A noite começou com Os Panteras, primeira banda do cantor, que apresentou o repertório de seu primeiro disco, Raulzito e Os Panteras, lançado em 1968. Ver Carleba (bateria), Eládio Gilbraz (guitarra) e Mariano Lanat (baixo) ali reunidos trazia uma atmosfera nostálgica, ainda que grande parte do público desconhecesse a maioria das músicas tocadas. Mas ninguém perdeu o ânimo. Pelo contrário: apareciam cada vez mais cartazes com frases como "Raul vive!", "Raul, o verdadeiro rei" e, claro, a clássica (e batidassa) "Toca Raul!".

Apesar de agitado, o público da Estação da Luz ficou estável. Poucas pessoas chegavam, fora curiosos e fãs voltando de algum outro show. A maior parte da galera preferia ficar ali mesmo, como o estudante Eduardo Dines, de 21 anos. "Cara, eu ouço Raul desde pequeno", disse. "Meu pai, que já faleceu, me mostrou os discos quando eu era moleque. Estar aqui agora é estar com ele".

A festa continuou noite adentro, com apresentações de artistas relativamente desconhecidos e outros já consagrados, como o cantor Nasi. E os fãs entoaram as músicas em coro, até a manhã seguinte. Quando o sol nasceu, muitos já cambaleavam, a ponto de desistir da maratona. Mas foi só a banda Velhas Virgens entrar no palco, para a galera ressuscitar.

E turma do "Toca Raul!" sobreviveu ao domingo. Algumas figuras novas apareceram durante a tarde - em especial, famílias que fugiram da bagunça da véspera e curtiram o clima sossegado dos shows de domingo. No final, Os Panteras voltaram ao palco para mais uma apresentação. Desta vez, acompanhados do antigo parceiro e fã de Raul Marcelo Nova. Eles tocaram juntos o último disco do homenageado, A Panela do Diabo.

Goste ou não, é inegável a influência de Raul Seixas para o rock e a música brasileira em geral. Passados 20 anos de sua morte, o cantor baiano continua angariando fãs novos. E se depender deles - tanto os novos quanto os velhos - o Maluco Beleza estava mais do que vivo nessa Virada Cultural; estava ali, no palco.

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