A volta do malandro versátil

Quando ouvimos a frase “malandro é malandro, mané é mané” quem nos vem à cabeça é Bezerra da Silva, uma das figuras mais irreverentes da música popular brasileira.

Aos 75 anos de idade e com 34 anos de carreira, Bezerra lança Meu Bom Juiz, seu 28º disco. Trata-se de um disco ao vivo, que reúne vários sucessos desse porta-voz do povo, além de três músicas inéditas. No novo trabalho há até uma participação especial do rapper Marcelo D2, na faixa Garrafada do Norte. Músicas com nomes curiosos como Defunto Caguete, A Fumaça já Subiu pra Cuca e Minha Sogra Parece Sapatão mostram o lado irreverente de Bezerra, um dos maiores interpretes do samba em atividade.

Nascido em Pernambuco, Bezerra mudou-se para o Rio de Janeiro com 15 anos, onde viveu no Moro do Cantagalo. Na capital carioca ele “estudou na universidade das ruas”, como faz questão de ressaltar, onde aprendeu a versatilidade que também se manifesta na sua carreira musical.

Apesar de ter entre suas influências nomes que foram pilares para da história do samba, como Nelson Cavaquinho, Adoniran Barbosa e Paulo Vansolini, Bezerra da Silva faz questão de se manter em contato com as novidades do mundo. “Acompanho a evolução, o presente, não fico preso no passado” afirmou na coletiva de lançamento do novo disco. Suas participações especiais em discos de grupos da nova geração como O Rappa e Barão Vermelho, reafirmam seu sincronismo com o presente.

Bezerra chama atenção para o fato de que grande parte de seu público é composto por jovens. “A juventude sempre aparece nos shows, alguns ficam cantando junto e sabem todas as letras”.

O show de lançamento do novo disco acontece em São Paulo, no próximo dia 21 de agosto, no Urbano. O público paulista vai poder conferir os sucessos do mestre da malandragem (no bom sentido) e as composições inéditas de Meu Bom Juiz. Ele canta circundado por uma banda que conta com Thalamy Bezerra da Silva, um de seus filhos, na bateria.

Bezerra da Silva é um autentico representante do povo brasileiro. E ele faz isso muito bem através de sua música. “Não sou apenas um porta-voz da malandragem, sou um intérprete que canta para um povo sofrido, sem fechar os olhos para nossa realidade. Os meus disco são uma escola”.

Atualizado em 19 Mai 2014.

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