Com muito choro e muita vela

O chorinho é um som genuinamente brasileiro, especula-se que tenha surgido em 1800. Seu ritmo provém da mistura de elementos da dança de salão européia (como a valsa, o minueto e a polca), com a música popular portuguesa, por sinal, fortemente influenciada pela música africana. O nome chorinho vêm de xolo, um tipo de baile que reunia os escravos das fazendas de xoro, o termo teria finalmente chegado a choro. Outra explicação é que o nome surgiu devido ao jeito sentimentalista do brasileiro de traduzir as canções européias.

Histórias a parte a verdade é que esse gênero é reverenciado até hoje. Os shows acontecem em praças, centros culturais e bares, enfim, o chorinho continua vivo e esquentando o coração do paulistano. Na Praça Benedito Calixto, aos sábados, é possível encontrar o pessoal da velha guarda do choro paulistano, o grupo se apresenta há mais de dez anos e faz um som de qualidade. Os fundos da loja de instrumentos Comtemporânea, na Santa Ifigênia, também dá lugar aos bambas do samba. Na base do improviso e com muita descontração, o agito acontece nas manhãs de sábado, e o melhor, é na faixa!

Na categoria barzinhos, o Ó do Borogodó é um exímio exemplo de lugar que tem investido nesse estilo musical com êxito. Sempre cheio e com apresentações ao vivo, agrada ao público. Às segundas tem a cantora Fabiana Cozza e choro, às terças, choro com Zé Barbeiro (7 cordas), Roberta Valente (pandeiro), Rodrigo Y Castro (flauta) e o Alessandro Penezzi (violão). Às quartas, a roda é comandada pelo Conjunto Paulistano. Finalmente o sábado fica por conta do grupo Cochichando.

Há também o Samba da Vela, que acontece toda segunda feira na Casa de Cultura Santo Amaro, mas enganam-se os que acham que o Samba da Vela é oba oba, lá não vende-se bebida, não tolera-se barulho nem conversa. É um verdadeiro templo do samba, lugar onde a música é levada muito a sério.

Por último o Café du Rève, mais conhecido por Bar do Cidão, que de francês só tem o nome. O lugar surpreende pela simplicidade, uma pequena porta de garagem onde concentram-se as melhores rodas de choro da cidade, algumas até antológicas. Segunda feira tem a apresentação do grupo 33 Palitos, às quartas, Ítalo Peron (7 cordas), João Poletto (flauta/sax) e Roberta Valente (pandeiro) comandam a festa, com choro, samba, seresta, recebendo convidados. O sábado é responsabilidade do violinsta Valtinho e aos domingos rola samba maneiro com Roberta Valente (pandeiro), Mário Mamanna (cavaco), Amaral (surdo e voz), Renato Vidal (percussão) e Paulo Ramos (7 cordas) . Vale a pena conhecer.

Atualizado em 19 Mai 2014.

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