Entrevista: João Gordo

Algumas pessoas dizem que DJs não podem ser considerados músicos. Outros afirmam o contrário. Você, que passeia pelas duas “áreas”, compartilha de qual opinião? Por quê?

Pick-ups são instrumentos sem dúvida e para fazer uma pista bombar, lógico que tem que ter um certo grau de talento e sensibilidade. Quem afirma o contrário tem que enfiar o violino na bunda e calar a boca pois não sabe o que está dizendo. Pra mim, colocar 500 moleques ensandecidos ao som do “Ratos” dá quase na mesma fazer uma pista tremer ao som de “Led Zeppelin”, só que com a diferença que com sua banda você não goza com o pau dos outros.

Você é um grande colecionador de CDs. Qual o tamanho da sua coleção atualmente? Tem ciúmes dela? Emprestaria CDs para amigos?

Não tenho mais onde enfiar essas merdas... CDs são um lixo tecnológico de baixa qualidade que quando bem cuidados podem durar no máximo 10 anos. De uns tempos pra cá resolvi investir nos discos de vinyl e tenho trazido cada vez mais quando vou viajar. É uma paixão forte a um material indestrutivel... Odeio emprestar mas se for amigo de confiança até rola. Mas nunca nego uma catequese, todos merecem ser catequizados. Uma das minhas vitórias é saber que milhares de moleques começaram curtir um som da hora por minha causa...

Sua residência no club D-Edge já virou referência nas noites de segunda-feira. É uma das festas mais comentadas do club e tem atraído um público eclético e fiel. Qual é o segredo para fazer uma noite “virar” logo no começo da semana? Muitos tentam, poucos conseguem...

Sempre freqüentei a noite embalada por uma trilha sonora de merda. Órfãos do rock, já de saco cheio de musica eletrônica, foram arrebanhados. O barato é você ir a um lugar bem louco onde toca aqueles sons da hora que ninguém enjooa. Agora haja vagabundo nessa cidade...

Como surgiu a idéia da “ontherocks”? Você participa da produção, trabalha na curadoria artística, convida DJs para dividirem as pick-ups, ou o seu barato é mesmo curtir a cabine e fazer o povo dançar?

Eu e uma amiga rodamos alguns clubs antes da noite estourar. Hoje o “ontherocks” é bastante copiado e sou requisitado pra caraio, mas o meu barato é só ouvir rock bem alto com o pretexto de discotecar. É diversão remunerada e com certeza me divirto mais que todo mundo.

Os convidados são super ecléticos. Já teve do chef Alex Atala a Edgar (MTV), passando por Scandurra, Nazi e figurinhas conhecidas da noite paulistana. Rola uma espécie de direcionamento musical ou as pessoas se sentem livres para tocar aquilo que gostam?

No ontherocks é o unico lugar do Brasil que se você rolar um coral de peidos, neguinho sai dançando. Já rolei até Bezerra da Silva para homenagear o seu empacotamento e nego curtiu... Na verdade não me importa o convidado e seus CDs...

Você acaba de chegar da Europa. Estava em turnê com a banda “Ratos de Porão”. Ainda encontra tempo suficiente para dedicar-se à banda ou gostaria de focar mais o seu trabalho nela?

Ultimamente o RDP anda um pouco em segundo plano... Fomos à Europa somente pra tocar num grande Festival de Verão na República Tcheca. Foi foda, abrimos pro SWEET (clássico do glam 70), um dos carros chefes da minha discotecagem, pra mais de 70 mil pessoas. O leste é nossa casa!!!!

Você chegou a passar 3 dias em coma por causa do excesso de drogas e bebidas. Atualmente, a cena eletrônica vem passando por um momento delicado: as raves viraram o alvo preferido do Denarc, acusadas de serem “território livre para o consumo de drogas”. Você é da onda rock´n´roll, mas já teve proximidade com a cena underground e eletrônica. O que acha das raves e desse momento pela qual elas estão passando?

Entre 96 e 2000 freqüentei a cena eletrônica e enchi o rabo de droga. Tem tudo a ver mas ninguém agüenta essa vida por muito tempo... Na real eu quero mais é que se foda. Os “gambé” chegaram na festa atrasados, toneladas de ecstasy foram consumidos antes que eles soubessem o que estava acontecendo... Quem curtiu, curtiu. A novataiada agora tem que conviver com a repressão dos investigadores disfarçados de clubbers, que se pam acabam gostando do riscado.

Você agora está casado, sua filha nasceu no ano passado e outro está a caminho... isso tudo mexeu com sua cabeça? De que maneira?

A paternidade é tudo... A melhor droga e a balada mais divertida. O resto é o resto.

Seu emprego na MTV fez com que você se tornasse uma figura conhecida por todos. Você curte esta “fama”?

Eu já era bem famosinho antes de entrar na MTV mas não era remunerado por isso. E apesar de achar um saco, a curtição é fatal.

Você costuma dizer que trabalhar na MTV é a maior boiada, que ganha-se bem para trabalhar pouco, além de poder ser você mesmo. Mas imagino que devam ter alguns momentos “saia-justa” no seu dia-a-dia. Comente alguns casos engraçados ou momentos em que você passou apertos no comando do Gordo a Go-Go.

Polêmica é a base do negocio. Outro dia mandei uma socialyte aí tomar no cu. A tia foi embora putona. Posso agüentar um monte de coisa, mas chilique de véia burguesa emergente nem fudendo... Aliás ninguém soube dessa história .

DJ, vocalista da banda Ratos de Porão, VJ da MTV... É possível dizer qual dessas atividades é mais prazerosa? Por quê?

Tocar no “Ratos” ainda é muito foda. Embora a grana seja mínima, o retorno é maravilhoso. Ver neguinho em Budapeste cantando o refrão em português que você fez na sexta série é louco demais. Ter fãs pelo mundo afora é tudo!!!!

Atualizado em 19 Mai 2014.

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