O brega/pop/indie/cafajeste da Banda UÓ

Trio goiano lança disco de estreia ainda este ano; leia entrevista com o vocalista Mateus Carrilho.

"A intenção é sempre divertir, fazer de uma forma debochada, alegre, sexual, sacana", explica Mateus Carrilho, vocalista da Banda UÓ, fenômeno brega/pop que ganhou notoriedade em festinhas descoladas em 2011 após o sucesso do vídeo “Shake do Amor”, uma paródia inusitada de “Whip My Hair”, de Willow Smith.

Desde então, o trio goiano manteve o ritmo e até faturou um VMB de melhor webclipe, justamente com “Shake do Amor”. Outras versões de sucessos internacionais vieram, mas homenageando bandas indie, como Two Door Cinema Club, com “O Gosto Amargo do Perfume”; e a mais recente, “Rosa”, adaptação brega de “Last Nite”, do The Strokes. A letra fala de uma prostituta que quer largar a “vida fácil”. Temática com a cara da Banda UÓ

Em 2012, o grupo se concentra no lançamento de seu primeiro disco, ainda sem nome definido. “Tem Pará, Goiânia, Bahia... Tem indie, tem ‘axézinho’. Está bem bagunçado”, conta o empolgado Mateus. Neste domingo, 27, a turma homenageia The Smiths no 16º Cultura Inglesa Festival, no Parque da Independência. O mesmo evento também traz Franz Ferdinand, The Horrors, We Have a Band e Garotas Suecas. Tudo de graça.

Leia entrevista com o Mateus, da Banda UÓ.

A Banda UÓ é uma das atrações do 16º Cultura Inglesa Festival. Vocês vão tocar The Smiths nos shows. Como surgiu o convite para participar do evento?
A gente ganhou um concurso que selecionaria uma banda para tocar no festival. Não sabíamos como seria. E então a organização nos passou essa regra: que precisaríamos homenagear uma banda inglesa. Para ser bem sincero, eu não curti muito a escolha do The Smiths. Eu nunca tinha dado muita atenção ao som, sabe? Mas está sendo uma experiência legal, as versões ficaram muito divertidas. Não sei como os fãs de The Smiths vão levar essa brincadeira. Eu acho que ficou o máximo. Nós montamos um show todo novo para nos apresentarmos com essa proposta de tributo ao The Smiths. Quem tem senso de humor vai achar divertido.

Como vocês se conheceram?
Nós nos conhecemos na noite de Goiânia. Eu promovia festas e as divulgava com alguns vídeos. Em 2009, comecei a criar algumas vinhetas, coisa que é bem comum hoje em dia aqui em São Paulo. Como eu não tinha uma equipe, meus amigos David e Mel sempre me ajudavam. Como o David é produtor musical, ele cuidava da trilha sonora e do áudio. Na época, eu contei que já havia trabalhado com música antes, mas ele nem deu muita bola.

E como foi o início? De onde veio a inspiração para o nome “Banda UÓ”?
Eu organizava uma festa brega chamada UÓ. Nessa mesma época, surgiu o DJ Cremoso, que pegava hits internacionais e incorporava batidas do tecnobrega. E aí a gente teve a ideia de fazer a mesma coisa, só que com banda, cantando. Fizemos o primeiro vídeo para divulgar a festa, sem muita pretensão, era uma brincadeira. Quem cantou foi outra amiga nossa, a Flora, porque na época a Mel não podia. O vídeo teve uma repercussão muito legal. As pessoas gostaram bastante, fez sucesso. Como o vídeo foi tema da festa UÓ, nós decidimos manter o nome.

As letras da Banda UÓ sempre têm um duplo sentido, uma pitada de sacanagem. Quem compõe e de onde vem a inspiração?
A produção musical é do David, mas as letras são escritas por todos nós. Tudo surge de forma muito natural, porque são coisas do nosso cotidiano, a banda veio de Goiânia, eu sou de Goianésia, no interior de Goiás. São situações e histórias do cotidiano que a gente acompanhou de perto, que aconteceram com um tio, uma tia, que alguém conta. Esse é o sentido do brega: o exagero. Correr atrás do amor, a prostituta que quer sair do bordel, a amiga que rouba o namorado da outra. São poesias populares ditas de forma bastante explícita. Eu, que sou do interior, tenho muita carga, muita referência. A intenção é sempre divertir, fazer de uma forma debochada, alegre, sexual, sacana.

E vocês já têm residência fixa em São Paulo ou ainda vivem em Goiânia?
A gente vive viajando. Ficamos em São Paulo um pouco, depois vamos para Goiás. Mas todo final de semana a banda está em algum lugar diferente. Estivemos em Campo Grande, Rio de Janeiro, Manaus, Brasília, depois Rio de Janeiro de novo. Não para. É assim o tempo inteiro. E no meio dessa bagunça toda, a gente grava o CD.

Vocês assinaram com a Deck e estão produzindo o primeiro disco da banda. Como vai o processo de gravação?
A Deck é uma gravadora bem aberta. Nós estamos trabalhando com muita liberdade. A nossa preocupação era exatamente essa. Como nós sempre fizemos tudo, a entrada de uma gravadora cheia de exigências nos preocupava, tínhamos medo da banda perder a cara. Mas está sendo muito divertido. O CD deve sair no segundo semestre. É um disco de música pop com ritmos brasileiros. Tem Pará, Goiânia, Bahia... Tem indie, tem “axézinho”. Está bem bagunçado, não diria que é um CD exclusivamente tecnobrega.


A divertida Banda UÓ lança seu disco de estreia ainda este ano

A Banda UÓ nasceu tocando brega para um público hype. Você acha que hoje em dia é hype ser brega?
Já deixou de ser hype. Acho que esse é o momento do brega. Principalmente depois da Gaby Amarantos, da Globo incorporar o brega em suas novelas e mostrar que é legal ser brega. Esse é o momento em que as pessoas voltam para o brega e percebem que é legal ser brega. Antigamente, quando se falava em brega, você era criticado e taxado de um monte de coisas. Nós começamos esse trabalho antes desse “boom”. O que a Banda UÓ tenta passar é uma espécie de libertação, sabe? Você pode escutar vários tipos de música, isso não te impede de ser legal. A gente tem versão de Strokes, mas também faz um axé gostoso, entendeu? Um tipo de música você escuta num churrasco, outra na balada, outra deitado na cama. Hoje, a Banda UÓ é brega pela diversão, não pelo estilo. Nós não vamos nos desligar do brega. É o que a gente gosta, de onde a gente veio.

A Banda UÓ mistura de elementos do indie, do brega e do pop. O que vocês ouvem para chegar nessa sonoridade?
Eu fico feliz da Banda UÓ ter trilhado esse caminho do rock e ter caído nas graças de produtores de festivais indie, mais rock. Porque a gente veio disso – principalmente e o David – e traz bastante carga cultural desse meio. O lado brega vem da época da infância até a adolescência, coisas que a gente escutava em almoços de família, churrasco de colégio. Não rola preconceito. Nos últimos dias eu ando ouvindo muito James Blake, que tocou no Sónar. Mas também escuto muito pop. É essa a mistura. A gente escuta Rihanna...escuta de tudo. A Mel gosta muito de MPB, ela adora bossa nova, Gal Costa, Maria Bethânia, Chico Buarque. Ela gosta mais disso do que pop. É muito bagunçado. Não dá para definir.

Uma boa parcela do público de vocês é formada por gays. A Banda UÓ se considera uma representante da comunidade LGBT?
Todo mundo gosta de Banda UÓ. Não só os gays. Esse público é mais forte porque o nosso estilo atrai mais eles, por ser mais pop, por ser mais “montado”, por ter dança, ser colorido. Enfim... por ser mais gay. A Banda UÓ é gay! Tocamos um ritmo popular, com letras engraçadas, vira uma coisa Mamonas Assassinas, sabe? Todo mundo gosta. Muitos fãs dizem que as mães deles adoram ouvir nossa música enquanto arrumam a casa. Apesar da Banda UÓ ser formada por dois gays e uma transexual, nossas músicas são quase todas voltadas para casais hetero. Nós somos gays, mas não queremos levantar bandeira e quebrar preconceitos. Só queremos divertir todo mundo, seja um grupo hetero, gay, de velhos. Mas o público gay é maior. E eu os adoro.

Atualizado em 20 Mai 2014.

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