Marcha da Vida, a viagem e o filme

Visita aos campos de concentração nazistas.

Sempre é difícil começar um texto. A busca das palavras certas, a coesão das frases, a tentativa de transpassar suas ideias para o papel. Mas é mais difícil ainda tentar escrever sobre o que pode ter sido a maior tragédia que a humanidade presenciou no último século.

A palavra em questão já era utilizada na Bíblia muito antes de ganhar seu sentido atual. Contexto: rituais religiosos. Significado: cremação de corpos. Holocausto. Só de pronunciar, um frio na espinha. O extermínio de milhões de pessoas, sem definir aqui suas cores, credos e religiões, indesejadas pelo regime nazista da Alemanha do século XX.

A última sexta-feira (29 de abril) foi marcada pelo lançamento do documentário Marcha da Vida. Para os que não conhecem, trata-se de um evento que reúne milhares de pessoas, de várias partes do mundo, para conhecer os guetos e campos de concentração da Polônia, e refazer o percurso feito pelos prisioneiros, entre os campos de Auschwitz e Birkenau, na Solução Final da guerra.

A diretora Jessica Sanders vai além. Acompanha um grupo de jovens e senhores, estudantes e sobreviventes, ligados pela mesma razão. Participar da Marcha. Da preparação à viagem em si, o filme documenta os questionamentos dos protagonistas, seus anseios e suas percepções enquanto vivenciam uma experiência que jamais esquecerão.

Marcha da Vida em Israel                                                                     Créditos:Divulgação

Participei da Marcha da Vida de 2007, e tenho como dizer o quão sufocante foi ir até lá e ver fotografias, documentos, roupas, malas, sapatos, câmaras de gás, fornos crematórios, cinzas e até cabelo dos que tiveram esse infeliz destino.

Mais difícil do que escrever, é entender como a grama ainda cresce em lugares como esse, como o sol nasce e se põe no horizonte, como uma geração inteira se calou perante o absurdo. Sentir-se impotente, sem voz. Como diz uma sobrevivente no filme, “agora, o silêncio não é uma opção”. Ouvimos o mundo se calar uma vez. Mas um passado como esse não pode ser esquecido.

Eu não estava viva, eu não estava lá, mas poderia. E faço parte da última geração que vê os sobreviventes em vida. Na Polônia, não somos turistas, e sim testemunhas da história. História que não pode ser contada dentro de uma sala de aula, ou resumida em capítulos de livros.

Depois de tudo, a viagem continua em Israel. O contraste nos olhos de cada um que chega ao maior centro religioso do planeta é nítido. Uma reviravolta na cabeça dos que ainda tentam digerir o que viram. Uma coisa é certa. Você não volta pra sua casa do mesmo jeito que foi. Você percebe que enquanto reclamava das pequenas coisas do seu dia, milhões de outras pessoas, pouco tempo antes, perderam sua juventude, sua história, sua identidade. Em minhas mãos, resta guardar na memória do que o ser humano já foi capaz.

Atualizado em 20 Mai 2014.

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